Aspergiloma pulmonar e abordagem conservadora em paciente de alto risco cirúrgico: relato de caso
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238295Palavras-chave:
Aspergiloma, Tuberculose, Abordagem Conservadora, Alto Risco Cirúrgico, Dpoc, TabagismoResumo
O aspergiloma pulmonar é uma infecção fúngica caracterizada pela colonização de cavidades pulmonares pré-existentes, geralmente decorrentes de doenças como tuberculose. Manifesta-se por sintomas como hemoptise, dor torácica e febre. O tratamento cirúrgico é indicado em casos selecionados, especialmente quando há risco de complicações. Relato de Caso: Um paciente masculino de 77 anos, ex-tabagista com histórico de 134 maços-ano, portador de DPOC e tuberculose pulmonar tratada, acompanhava-se ambulatorialmente devido a um nódulo pulmonar estável no lobo superior direito. Apesar da resposta adequada ao tratamento da tuberculose, mantinha sintomas como febre subjetiva e dor torácica intensa. A investigação por exames de imagem e laboratoriais não revelou alterações significativas, e a reativação da tuberculose foi descartada. Inicialmente, suspeitou-se de síndrome miofascial para a dor persistente. Em 2020, diante da manutenção dos sintomas e da imagem cavitária estável, considerou-se a hipótese de aspergiloma pulmonar. Devido à idade avançada e comorbidades respiratórias, optou-se por conduta conservadora, sem indicação cirúrgica. O paciente permanece em acompanhamento clínico e radiológico regular, sem piora ou complicações. A tomografia de tórax mais recente evidenciou cavitação no lobo superior direito, preenchida por lesão nodular homogênea com sinal do crescente aéreo.Discussão: O aspergiloma pulmonar ocorre quando fungos do gênero Aspergillus colonizam cavidades pulmonares pré-existentes, frequentemente formadas após tuberculose. A ausência de sinais infecciosos clássicos e a estabilidade da imagem dificultam o diagnóstico precoce, como observado no caso. O diagnóstico depende da correlação entre sintomas, achados radiológicos e exames laboratoriais, que podem ser inconclusivos. O tratamento deve ser individualizado: a cirurgia é indicada em casos sintomáticos ou com risco de hemoptise, enquanto pacientes com comorbidades importantes podem ser manejados conservadoramente. Este relato destaca a importância da suspeição diagnóstica em lesões pulmonares persistentes, da correlação clínico-radiológica e do acompanhamento multidisciplinar, especialmente quando a cirurgia é contraindicada.
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Referências
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