Doença do enxerto contra o hospedeiro após transplante de fígado
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238300Palavras-chave:
Transplante, Fígado, Enxerto, Hospedeiro, Doador, DoençaResumo
A doença do enxerto contra o hospedeiro (DECH) é uma complicação rara, porém grave, após transplante de fígado, caracterizada pela reação imunológica dos linfócitos T do doador contra os tecidos do receptor. Essa resposta pode causar acometimento multissistêmico, principalmente da pele, trato gastrointestinal e fígado, com evolução frequentemente agressiva e alta mortalidade. Relato de Caso Um paciente masculino de 64 anos, com infecção crônica por hepatite C, cirrose alcoólica e carcinoma hepatocelular, recebeu transplante hepático de doador cadáver compatível ABO. O regime imunossupressor inicial incluiu tacrolimo e corticosteroides. No nono dia pós-transplante, apresentou elevação das enzimas hepáticas, sendo diagnosticada rejeição celular aguda e iniciada pulsoterapia com metilprednisolona. Após melhora inicial e alta hospitalar, no 31º dia pós-transplante, readmitiu-se com exantema maculopapular generalizado, febre, leucopenia grave, anemia, hipotensão e diarreia. Biópsias de pele confirmaram DECH grau III. O mielograma evidenciou hipoplasia medular evoluindo para aplasia. A análise de DNA revelou macroquimerismo de linfócitos T do doador. Foi iniciado tratamento com metilprednisolona em altas doses e globulina antitimócito, sem resposta clínica. Evoluiu com insuficiência pulmonar e renal, falência múltipla de órgãos e óbito no 36º dia pós-transplante. Discussão A DECH ocorre quando linfócitos T do doador atacam os tecidos do receptor, sendo mediada por citocinas pró-inflamatórias. O macroquimerismo está associado ao desenvolvimento da doença. Os sinais iniciais incluem exantema cutâneo e febre, progredindo para acometimento multissistêmico e pancitopenia devido à medula óssea comprometida. O diagnóstico exige avaliação clínica, histológica e imunohistoquímica. O tratamento convencional com corticosteroides e imunossupressores, como globulina antitimócito, frequentemente apresenta resposta insatisfatória. A alta mortalidade da DECH reforça a necessidade de diagnóstico precoce, manejo multidisciplinar e desenvolvimento de novas terapias para melhorar os desfechos.
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