Fístula pleuro-vertebral em paracoccidioidomicose: relato de caso
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238305Palavras-chave:
Pleura, Canal Vertebral, Medula Espinal, Paracoccidioidomicose, Tomografia Computadorizada, FístulaResumo
A fístula pleuro-vertebral, comunicação anômala entre o espaço pleural e o canal vertebral, é uma condição clínica rara. Sua principal causa é traumática, especialmente ferimentos por arma de fogo, mas processos infecciosos crônicos, como a paracoccidioidomicose, e radioterapia também podem ocasioná-la, dificultando o manejo clínico-cirúrgico. Relato de Caso Um paciente masculino de 55 anos, com hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus e tabagismo (30 maços-ano), apresentou quadro atípico de tuberculose tratado empiricamente com esquema RIPE, sem melhora clínica. Dois meses após o término do tratamento, manteve tosse, hemoptise e expectoração de material sólido, além de fraqueza, dor lombar, dificuldade para deambulação e constipação intestinal. Internado para investigação, identificaram-se leveduras compatíveis com Paracoccidioides em amostras de escarro e em lesões traqueais e pulmonares. A tomografia evidenciou focos gasosos na coluna torácica comunicando-se com o espaço pleural direito, sugerindo fístula pleuro-vertebral. Durante a cirurgia realizada pela equipe de neurocirurgia, visualizaram-se dois pontos de fístula aérea entre os pedículos T7-T8 direito e T8-T9 esquerdo, que foram tratados com gel foam, interrompendo o fluxo aéreo. Após artrodese toraco-lombo-sacra posterior, o paciente apresentou melhora clínica e neurológica, recebendo alta para acompanhamento ambulatorial. Discussão A fístula pleuro-vertebral é uma complicação rara e pouco descrita em pneumopatias crônicas, como paracoccidioidomicose e tuberculose, principalmente quando não diagnosticadas ou tratadas adequadamente. Deve ser considerada no diagnóstico diferencial de quadros atípicos com sinais neurológicos sugestivos de acometimento medular. A tomografia computadorizada de tórax é fundamental para identificar gás no canal vertebral e comunicação com o espaço pleural, confirmando a fístula. O reconhecimento precoce dessa complicação orienta o manejo, indicando frequentemente a necessidade de intervenção cirúrgica para controle efetivo, além do tratamento clínico.
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Referências
Ferretti GR, Arbib F. Pyogenic spondylodiscitis due to pleurovertebral fistula complicating radiofrequency ablation of pulmonary carcinoma. Diagn Interv Imaging. 2015 May;96(5):511-3. doi: 10.1016/j.diii.2014.11.032. Epub 2015 Feb 18. PMID: 25704148.
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