Hérnia interna estrangulada em paciente tetraplégico com história de retossigmoidectomia e colostomia
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238309Palavras-chave:
Hérnia Interna Estrangulada, Trauma Raquimedular, ColostomiaResumo
Pacientes com lesão medular apresentam múltiplas comorbidades e maior risco cirúrgico, especialmente após procedimentos abdominais prévios, como retossigmoidectomia com colostomia. Hérnias internas são complicações raras, porém graves, que podem ocorrer devido a defeitos anatômicos formados após cirurgias, levando à obstrução intestinal e isquemia. O manejo exige diagnóstico rápido e intervenção cirúrgica para evitar desfechos desfavoráveis. Relato de Caso Paciente masculino de 35 anos, tetraplégico desde 2011 por trauma cervical em C4, com histórico de retossigmoidectomia e colostomia em setembro de 2024 devido a volvo intestinal, apresentou náuseas, vômitos fecalóides, dor abdominal constante, distensão abdominal e ausência de evacuação por três dias, além de dificuldade para ingestão de líquidos e redução do débito urinário. No exame físico, encontrava-se em bom estado geral, porém descorado, desidratado e com leve dispneia. Abdome estava distendido, endurecido e indolor à palpação. Exames laboratoriais revelaram leucocitose, elevação de creatinina e ureia, PCR elevado e hiponatremia. A tomografia abdominal sem contraste mostrou distensão gástrica importante com conteúdo fecalóide, sem causa obstrutiva clara. Após três dias, realizou laparotomia exploradora que revelou hérnia interna gástrica estrangulada pelo meso da colostomia prévia, distensão do cólon transverso até o ceco, múltiplas úlceras e necrose gástrica, além de aderências e torção do meso da alça da colostomia. Realizou-se desfecho da hérnia e aderências, gastrectomia vertical, colectomia segmentar e nova colostomia. Pós-operatório foi satisfatório, com evolução em UTI. Recebeu alta após 25 dias, estável e com colostomia funcionante. Discussão A lesão medular e as cirurgias aumentam o risco de aderências, torções e hérnias internas, que causam obstrução e isquemia intestinal. Apresentação clínica e alterações laboratoriais indicam obstrução grave. A laparotomia é essencial para diagnóstico e tratamento, permitindo correção da hérnia e ressecção de tecido necrótico. Gastrectomia foi necessária devido à necrose gástrica. Evolução pós-operatória, apesar da sepse, foi favorável após manejo multidisciplinar.
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