Mastite neonatal complicada por fasciíte necrosante e sepse

Autores

  • Taina Shi Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil. https://orcid.org/0009-0009-5657-3485
  • Arthur Murad Vervloet Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.
  • Carlos Eduardo Barbosa Passos Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.
  • Andressa Santos Benati Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.
  • Brenda Martines Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.
  • Rodrigo Frati Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238315

Palavras-chave:

Mastite Neonatal, Fasciíte Necrosante, Sepse, Cirurgia Pediátrica, Desbridamento, Staphylococcus Aureus

Resumo

A mastite neonatal é uma condição rara, ocorrendo em 0,1-1% dos recém-nascidos, geralmente causada por infecção bacteriana por Staphylococcus aureus. Em casos graves, pode evoluir para celulite, abscessos ou fasciíte necrosante, quadro de alta letalidade que exige intervenção cirúrgica precoce e antibioticoterapia agressiva.Relato de Caso Um recém-nascido masculino de 16 dias, nascido a termo e sem intercorrências gestacionais, apresentou lesão cutânea arredondada na mama direita, associada a hiperemia e áreas escurecidas, seguida de pico febril não aferido. Em 72 horas, evoluiu para celulite da parede torácica com lesões necróticas violáceas, marmorização da pele, edema significativo e irritabilidade. Admitido na UTI neonatal com diagnóstico de sepse tardia e injúria renal aguda, recebeu expansão volêmica e antibioticoterapia empírica com cefotaxima e oxacilina. A piora clínica, incluindo taquidispneia, plaquetopenia e expansão das lesões, sugeriu fasciíte necrosante. Submeteu-se a desbridamento cirúrgico da parede torácica e abdominal, com drenagem de abscessos e remoção de tecido necrótico. A cultura identificou Staphylococcus aureus resistente à eritromicina e oxacilina (MRSA), motivando ajuste para vancomicina, meropenem e amicacina. O paciente estabilizou hemodinamicamente, sem necessidade de reoperação, e a ferida foi mantida sob curativo a vácuo. Após 50 dias de antibioticoterapia e 72 dias de internação, recebeu alta com acompanhamento ambulatorial para trocas de curativo.Discussão Este caso ilustra a gravidade das infecções cutâneas neonatais e a necessidade de vigilância para complicações como fasciíte necrosante, que apresenta alta mortalidade. A progressão rápida da mastite para sepse e necrose reforça a importância do diagnóstico precoce, intervenção cirúrgica imediata e antibioticoterapia de amplo espectro. A resistência do Staphylococcus aureus (MRSA) exige ajustes terapêuticos baseados em cultura. O curativo a vácuo demonstrou eficácia na cicatrização de feridas complexas. A injúria renal aguda, comum na sepse neonatal, requer monitorização rigorosa devido ao risco de nefrotoxicidade dos antibióticos. O manejo multidisciplinar é fundamental.

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Referências

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Publicado

2025-06-30

Como Citar

Shi, T. ., Vervloet, A. M. ., Passos, C. E. B. ., Benati, A. S. ., Martines, B. ., & Frati, R. . (2025). Mastite neonatal complicada por fasciíte necrosante e sepse. Revista De Medicina, 104(4 esp.), e-238315. https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238315