Mastite neonatal complicada por fasciíte necrosante e sepse
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238315Palavras-chave:
Mastite Neonatal, Fasciíte Necrosante, Sepse, Cirurgia Pediátrica, Desbridamento, Staphylococcus AureusResumo
A mastite neonatal é uma condição rara, ocorrendo em 0,1-1% dos recém-nascidos, geralmente causada por infecção bacteriana por Staphylococcus aureus. Em casos graves, pode evoluir para celulite, abscessos ou fasciíte necrosante, quadro de alta letalidade que exige intervenção cirúrgica precoce e antibioticoterapia agressiva.Relato de Caso Um recém-nascido masculino de 16 dias, nascido a termo e sem intercorrências gestacionais, apresentou lesão cutânea arredondada na mama direita, associada a hiperemia e áreas escurecidas, seguida de pico febril não aferido. Em 72 horas, evoluiu para celulite da parede torácica com lesões necróticas violáceas, marmorização da pele, edema significativo e irritabilidade. Admitido na UTI neonatal com diagnóstico de sepse tardia e injúria renal aguda, recebeu expansão volêmica e antibioticoterapia empírica com cefotaxima e oxacilina. A piora clínica, incluindo taquidispneia, plaquetopenia e expansão das lesões, sugeriu fasciíte necrosante. Submeteu-se a desbridamento cirúrgico da parede torácica e abdominal, com drenagem de abscessos e remoção de tecido necrótico. A cultura identificou Staphylococcus aureus resistente à eritromicina e oxacilina (MRSA), motivando ajuste para vancomicina, meropenem e amicacina. O paciente estabilizou hemodinamicamente, sem necessidade de reoperação, e a ferida foi mantida sob curativo a vácuo. Após 50 dias de antibioticoterapia e 72 dias de internação, recebeu alta com acompanhamento ambulatorial para trocas de curativo.Discussão Este caso ilustra a gravidade das infecções cutâneas neonatais e a necessidade de vigilância para complicações como fasciíte necrosante, que apresenta alta mortalidade. A progressão rápida da mastite para sepse e necrose reforça a importância do diagnóstico precoce, intervenção cirúrgica imediata e antibioticoterapia de amplo espectro. A resistência do Staphylococcus aureus (MRSA) exige ajustes terapêuticos baseados em cultura. O curativo a vácuo demonstrou eficácia na cicatrização de feridas complexas. A injúria renal aguda, comum na sepse neonatal, requer monitorização rigorosa devido ao risco de nefrotoxicidade dos antibióticos. O manejo multidisciplinar é fundamental.
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