Picada de Loxosceles reeclusa levando a dermonecrose grave: discussão e revisão de caso
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238318Palavras-chave:
Picada, Loxosceles, Aranhamarrom, Dermonecrose, Infecção Secundária, DesbridamentoResumo
As aranhas do gênero Loxosceles, especialmente a aranha-marrom (Loxosceles reclusa), causam acidentes que variam de manifestações cutâneas leves a quadros graves com necrose extensa e complicações sistêmicas. O veneno contém esfingomielinase D, que promove lise celular, inflamação intensa e trombose local. A picada, inicialmente indolor, pode evoluir em 12 a 24 horas para dor intensa, eritema, edema e formação de úlcera necrótica. Em casos graves, desenvolve-se o loxoscelismo cutâneo-visceral, com hemólise, insuficiência renal e coagulação intravascular disseminada, podendo levar ao óbito. O diagnóstico é clínico e o tratamento varia desde cuidados locais até antibioticoterapia e cirurgias em casos avançados. Relato de Caso Paciente masculino de 49 anos, previamente saudável, procurou atendimento após notar lesão dolorosa no joelho direito, precedida por sensação de picada. Evoluiu com aumento da área eritematosa, formação de bolha hemorrágica e necrose progressiva, além de febre e mal-estar. O local da picada apresentava aumento de volume do membro, escara necrótica e intensa inflamação. Tomografia evidenciou aumento de volume das partes moles e enfisema subcutâneo, sugerindo infecção bacteriana secundária. Iniciou antibioticoterapia de amplo espectro e foi submetido a três desbridamentos cirúrgicos, alcançando planos musculares profundos. Evoluiu bem após manejo intensivo com antibioticoterapia, suporte clínico e curativos, recebendo alta para retorno ambulatorial. Discussão O loxoscelismo representa desafio diagnóstico e terapêutico, pois a picada nem sempre é testemunhada e as lesões podem simular outras condições, como erisipela ou fasceíte necrosante. Infecção bacteriana secundária, frequentemente por Staphylococcus aureus ou Streptococcus pyogenes, exige antibioticoterapia empírica com cobertura para Gram-positivos. O tratamento cirúrgico é reservado para necrose extensa e deve ocorrer após delimitação da área acometida. A ausência de antiveneno disponível reforça a importância do suporte precoce e abordagem multidisciplinar. Este caso evidencia a gravidade do acidente por aranha-marrom e a eficácia do manejo clínico e cirúrgico adequado para recuperação do paciente.
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Referências
DENNISON, Fa. “Closed Gastroschisis, Vanishing Midgut and Extreme Short
Bowel Syndrome: Case Report and Review of the Literature”. Ultrasound, vol. 24,
no 3, julho de 2016, p. 170–74. DOI.org (Crossref),
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