Retossigmoidectomia laparoscópica com colostomia terminal no manejo do megacólon chagásico complicado por fecaloma: uma correlação cirúrgico-radiológica

Autores

  • Luana Mariano Monteiro Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil. https://orcid.org/0009-0009-5657-3485 (não autenticado)
  • Ana Carolina Maia Gouveia Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.
  • Fabiane Lima Cirilo Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.
  • Isabela Pinto Soares Verardo Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.
  • Rodrigo Frati Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.
  • Brenda Martines Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238321

Palavras-chave:

Megacólon Chagásico, Fecaloma, Tomografia Computadorizada, Retossigmoidectomia Laparoscópica, Planejamento Cirúrgico, Abordagem Minimamente Invasiva

Resumo

O megacólon chagásico é uma manifestação tardia da infecção pelo Trypanosoma cruzi, caracterizada por dilatação crônica e atonia do cólon, que provoca constipação severa e formação de fecalomas. Embora o manejo clínico inicial com métodos conservadores, como clisteres e ajustes dietéticos, ofereça alívio temporário, em estágios avançados a intervenção cirúrgica definitiva torna-se necessária. A correlação entre achados radiológicos e avaliação clínica é fundamental para definir o segmento acometido e otimizar o planejamento cirúrgico, reduzindo complicações. Relato de Caso Uma paciente feminina de 79 anos, portadora de diabetes mellitus tipo 2, hipertensão arterial sistêmica e fibrilação atrial, apresentou constipação crônica por vários meses, com episódios recorrentes de fecaloma e perda de peso de 10 kg em seis meses. Na internação, evoluiu com quadro de suboclusão intestinal, caracterizado pela ausência de evacuações espontâneas, mesmo após múltiplas tentativas conservadoras. A tomografia computadorizada (TC) inicial evidenciou importante distensão do retossigmoide, espessamento parietal reacional e colabamento do reto, sem sinais de perfuração ou coleções líquidas. A TC repetida após cinco dias confirmou impactação fecal e dilatação hidroaérea, principalmente no sigmóide, indicando irreversibilidade do processo e justificando a indicação cirúrgica. Após 11 dias de internação, realizou retossigmoidectomia laparoscópica com colostomia terminal. Durante a cirurgia, observou segmento colônico dilatado e redundante compatível com megacólon chagásico, orientando a extensão da ressecção. O segmento foi retirado por incisão de Pfannenstiel, e a colostomia confeccionada sem torção mesentérica, garantindo adequada perfusão. No pós-operatório, a paciente evoluiu com estabilização hemodinâmica, deambulação precoce e rápida aceitação da dieta. Discussão O manejo do megacólon chagásico em pacientes com múltiplas comorbidades é desafiador, especialmente quando o tratamento conservador falha. Os achados radiológicos foram essenciais para definir o segmento afetado e planejar uma ressecção segura. A técnica laparoscópica proporcionou menor trauma, melhor visualização anatômica e recuperação acelerada.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Referências

Cutait DE, Cutait RSO. Surgery of chagasic megacolon. World J Surg. 1991;15(2):188-194. PMID:1903231.

Downloads

Publicado

2025-06-30

Como Citar

Monteiro, L. M. ., Gouveia, A. C. M. ., Cirilo, F. L. ., Verardo, I. P. S. ., Frati, R. ., & Martines, B. . (2025). Retossigmoidectomia laparoscópica com colostomia terminal no manejo do megacólon chagásico complicado por fecaloma: uma correlação cirúrgico-radiológica. Revista De Medicina, 104(4 esp.), e-238321. https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238321