Torção de ovário direito em paciente com histerectomia subtotal prévia: relato de caso
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238325Palavras-chave:
Torção de Ovário, Dor Abdominal Aguda, Histerectomia Prévia, Diagnóstico por Imagem, Ooforectomia, Emergência GinecológicaResumo
A torção de ovário é uma emergência ginecológica caracterizada pela rotação do ovário e/ou tuba uterina em torno do pedículo vascular, causando obstrução do fluxo venoso, linfático e arterial. Afeta principalmente mulheres em idade fértil e apresenta sintomas inespecíficos, como dor abdominal súbita, náuseas e vômitos, o que pode atrasar o diagnóstico e aumentar o risco de necrose ovariana. Histerectomia prévia pode alterar a anatomia pélvica e predispor à torção.Relato de Caso Uma paciente feminina de 40 anos, com antecedente de histerectomia subtotal laparoscópica em 2021 por miomatose uterina, procurou o pronto-socorro com dor súbita na fossa ilíaca direita, associada a náuseas e vômitos. Negava febre e alterações urinárias ou intestinais. No exame físico, apresentou dor à palpação profunda na fossa ilíaca direita e sinal de descompressão brusca positivo. Os exames laboratoriais mostraram leucocitose de 15.000/mm³, lactato de 58 mg/dL e PCR abaixo de 1,0 mg/dL. A tomografia computadorizada revelou formação expansiva heterogênea de 6,7 cm na fossa ilíaca direita, lateral ao ceco, sem realce significativo, sugerindo origem anexial. A ultrassonografia com Doppler evidenciou ovário direito aumentado, lateralizado, com parênquima heterogêneo e ausência de fluxo sanguíneo. Indicou-se laparotomia de urgência via incisão de Pfannenstiel. Durante a cirurgia, constatou-se ovário direito com necrose e ruptura, medindo cerca de 7 cm, além de pequena quantidade de sangue livre. Realizou-se ooforectomia direita. O ovário esquerdo apresentou aspecto normal. Discussão A torção de ovário exige alta suspeição clínica diante de dor pélvica súbita com náuseas e vômitos. O Doppler transvaginal é essencial para avaliar a vascularização, embora a ausência de fluxo não seja diagnóstico definitivo. A histerectomia prévia pode aumentar o risco ao alterar a mobilidade dos anexos. A intervenção cirúrgica precoce é crucial para preservar a função ovariana, mas a necrose pode exigir ooforectomia.
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Referências
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