Transplante de intestino delgado com rejeição grave do enxerto: relato de caso
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238327Palavras-chave:
Transplante de Intestino, Rejeição do Enxerto, Nutrição Parenteral, Falência Intestinal, Complicações Pós-operatórias, ImunossupressãoResumo
O transplante de intestino (ITx) é um procedimento complexo, realizado isoladamente ou em combinação com outros órgãos do trato gastrointestinal, como estômago, duodeno, fígado e pâncreas, no transplante multivisceral. As principais indicações envolvem complicações da dependência da nutrição parenteral total (NPT) em pacientes com síndrome do intestino curto (SIC), incluindo esgotamento do acesso venoso central, infecções recorrentes, alterações no crescimento e doença hepática refratária.Relato de Caso Homem de 28 anos desenvolveu SIC após apendicectomia complicada em 2015, ficando com apenas 15 cm de intestino delgado remanescente. Dependente de NPT, sofreu múltiplas infecções relacionadas ao cateter. Em 2016, submeteu-se a transplante de intestino (delgado, ceco e parte do cólon ascendente proximal) nos EUA. Onze meses após o procedimento, apresentou histoplasmose possivelmente associada à imunossupressão com tacrolimus, permanecendo 33 dias na UTI. Dezoito meses após o transplante, internou-se no HC-FMUSP com distensão abdominal, febre e diarreia intensa. Recebeu altas doses de imunossupressores por três semanas sem melhora. Biópsia revelou rejeição aguda grave mediada por células T. A colonoscopia mostrou friabilidade e úlceras rasas no enxerto, e a tomografia evidenciou anastomoses pérvias e distensão duodenal. O quadro piorou com congestão pulmonar. Após decisão conjunta, realizou-se retirada emergencial do enxerto. O paciente evoluiu bem, recuperou-se da sepse e retornou à NPT domiciliar, permanecendo em acompanhamento para possível re-transplante. Discussão O intestino é altamente imunogênico, e a rejeição aguda ocorre em 50-75% dos casos de ITx, sendo mais frequente que em outros transplantes. A rejeição pode levar rapidamente à perda da barreira mucosa, sepse e morte. O desenvolvimento do ITx é lento mundialmente devido à complexidade técnica, imunossupressão e escassez de centros especializados. No Brasil, o HC-FMUSP e outros centros receberam autorização para realizar ITx em casos selecionados, e em 2025 o procedimento foi incorporado ao SUS, representando avanço no tratamento da falência intestinal.
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