Abordagem conservadora de íleo biliar em idosa
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238331Palavras-chave:
Íleo Biliar, Obstrução Intestinal, Fístula Colecistoduodenal, Cálculo, Tomografia ComputadorizadaResumo
O íleo biliar é uma causa rara de obstrução intestinal mecânica, resultante da impactação de cálculo biliar no trato digestivo, geralmente por meio de uma fístula colecistoduodenal. Representa 1-4% de todas as obstruções intestinais, mas pode chegar a 25% em idosos, estando associado à alta morbimortalidade. O diagnóstico é desafiador, pois a tríade de Rigler (obstrução intestinal, aerobilia e cálculo ectópico) ocorre em apenas 30-50% dos casos. Complicações como perfuração, sepse e necrose intestinal são frequentes e exigem intervenção cirúrgica urgente. Relato de Caso: Uma paciente feminina de 73 anos, com histórico de colelitíase e hipertensão arterial crônica, apresentou dor abdominal intensa em flanco inferior esquerdo, vômitos e inapetência há quatro dias. Ao exame físico, exibia abdome plano, flácido e doloroso difusamente à palpação. A tomografia computadorizada evidenciou vesícula biliar com conteúdo hiperdenso e gás, parede infundibular justaposta à primeira porção do duodeno, sugerindo fístula colecistoduodenal. Observou-se ainda distensão de alças jejunoileais, com redução de calibre no íleo distal e formação calcificada de 4 cm junto ao ceco, indicando cálculo impactado. Durante a internação, a paciente apresentou melhora clínica e nova tomografia mostrou migração do cálculo. Como mantinha estabilidade hemodinâmica e trânsito intestinal presente, optou-se por suporte clínico, passagem de sonda nasoenteral e seguimento ambulatorial para avaliação das vias biliares e programação terapêutica. Discussão: Este caso ilustra o íleo biliar em paciente idosa, destacando os desafios diagnósticos e a importância da tomografia para identificação da fístula e do cálculo impactado. O manejo conservador foi possível devido à estabilidade clínica e migração espontânea do cálculo, conduta considerada segura em casos selecionados. A persistência da fístula bilioentérica mantém risco de recorrência e complicações, indicando necessidade de tratamento definitivo posterior. O relato ressalta a importância da individualização terapêutica e do papel central da tomografia no diagnóstico e condução do íleo biliar.
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Referências
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