Abscesso cervical profundo de origem odontogênica em usuário de cocaína e k2: relato de caso
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238332Palavras-chave:
Abscesso, Drenagem, Cirurgia Geral, Usuários de Drogas, Diagnóstico por Imagem, Tomografia Computadorizada por Raios xResumo
Infecções odontogênicas podem evoluir para quadros graves quando se disseminam aos espaços cervicais profundos, especialmente em pacientes com fatores de risco como o uso de drogas ilícitas. O abscesso cervical profundo é potencialmente fatal devido ao risco de obstrução das vias aéreas e disseminação para o mediastino. O diagnóstico precoce e o manejo multidisciplinar são essenciais para um desfecho favorável. Relato de Caso: Um paciente masculino de 31 anos, previamente hígido e com histórico de uso de cocaína e K2, procurou atendimento médico por dor dentária à direita, sem melhora após uso de amoxicilina. Evoluiu com sinais de inflamação na região cervical direita. A tomografia computadorizada de pescoço revelou perda irregular da calcificação da coroa do primeiro molar inferior direito, compatível com cárie extensa. Observou-se aumento volumétrico das partes moles perimandibulares à direita, com coleção irregular estendendo-se pelos espaços mastigatório e parafaríngeo direitos, causando desvio contralateral da coluna aérea. A coleção também se estendia ao ventre muscular do temporal e à profundidade do masseter. O paciente foi submetido à drenagem cirúrgica do abscesso, associada à antibioticoterapia de amplo espectro, evoluindo com melhora significativa do quadro clínico.Discussão: Este caso demonstra a gravidade das complicações de infecção odontogênica em paciente jovem usuário de drogas, com disseminação para múltiplos espaços cervicais e risco iminente de obstrução das vias aéreas. Abscessos odontogênicos originam-se de bactérias anaeróbicas que colonizam o canal radicular necrosado, levando à formação de pus e inflamação. A infecção pode se espalhar para o pescoço, resultando em abscessos cervicais profundos que frequentemente exigem intervenção cirúrgica e antibioticoterapia. Em usuários de drogas, há maior predisposição para infecções cervicais profundas, mas o curso clínico e os resultados do tratamento são semelhantes aos de pacientes não usuários. O caso reforça a importância do diagnóstico precoce e da abordagem multidisciplinar para prevenir complicações graves.
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Referências
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