Abscesso escrotal sem coleção evidente em tomografia: desafios diagnósticos e desfecho clínico favorável

Autores

  • Bruna Schilbach Pizzutto Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil. https://orcid.org/0009-0009-5657-3485 (não autenticado)
  • Gabriela Nicole Valverde Avelar Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.
  • Carolina Negri Ferrara Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.
  • Matheus Gois Mendonça Andrade Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.
  • Brenda Martines Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.
  • Rodrigo Frati Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238333

Palavras-chave:

Abscesso Escrotal, Drenagem Cirúrgica, Infecção Bacteriana, Antibioticoterapia Dirigida, Tomografia Computadorizada, Staphylococcus Aureus Resistente à Oxacilina

Resumo

 Abscessos escrotais são condições urológicas potencialmente graves, frequentemente associadas a infecções bacterianas. O diagnóstico precoce e a intervenção adequada são essenciais para evitar complicações como sepse ou dano testicular irreversível. Este relato descreve um caso de abscesso escrotal por Staphylococcus aureus resistente à oxacilina, tratado com drenagem cirúrgica e antibioticoterapia direcionada. Relato de Caso: Um paciente masculino de 50 anos, previamente hígido, procurou o pronto-socorro com aumento progressivo de volume e hiperemia escrotal há três dias, associado a dor local moderada. Negava febre, trauma ou sintomas urinários. Ao exame físico, apresentava edema e eritema escrotal bilateral, com sensibilidade à palpação, sem sinais flogísticos inguinais. A tomografia computadorizada de pelve revelou densificação dos planos teciduais da bolsa escrotal bilateral, sem coleções líquidas ou gás, e mínima hidrocele à direita. Diante da suspeita clínica de abscesso escrotal, optou-se por exploração cirúrgica urgente. Durante o procedimento, identificou-se abscesso em tecido subcutâneo escrotal, com coleta de material purulento para cultura e drenagem completa do conteúdo. O paciente recebeu antibioticoterapia empírica com ceftriaxona e metronidazol. A cultura revelou Staphylococcus aureus resistente à oxacilina, sensível à clindamicina e sulfametoxazol-trimetoprim. O esquema foi ajustado para clindamicina 600 mg EV 8/8h, com boa resposta clínica: regressão do edema, desaparecimento da febre e normalização dos parâmetros inflamatórios. Após cinco dias de internação, recebeu alta com orientação para completar 14 dias de clindamicina oral e acompanhamento ambulatorial. Não houve recorrência ou complicações pós-operatórias. Discussão: Este caso destaca a importância da correlação clínico-radiológica no diagnóstico de abscessos escrotais, mesmo quando exames de imagem não evidenciam coleções líquidas. A tomografia auxiliou na exclusão de diagnósticos diferenciais graves. A drenagem cirúrgica precoce, associada à antibioticoterapia dirigida, foi fundamental para o desfecho favorável. A resistência à oxacilina reforça a necessidade de cultura microbiológica para orientar o tratamento. 

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Referências

The Cutaneous Microbiome in Outpatients Presenting With Acute Skin Abscesses.Horton JM, Gao Z, Sullivan DM, et al. The Journal of Infectious Diseases. 2015;211(12):1895-904. doi:10.1093/infdis/jiv003.

Pathogenesis of Staphylococcus Aureus Abscesses. Kobayashi SD, Malachowa N, DeLeo FR. The American Journal of Pathology. 2015;185(6):1518-27. doi:10.1016/j.ajpath.2014.11.030.

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Publicado

2025-06-30

Como Citar

Pizzutto, B. S. ., Avelar, G. N. V. ., Ferrara, C. N. ., Andrade, M. G. M. ., Martines, B. ., & Frati, R. . (2025). Abscesso escrotal sem coleção evidente em tomografia: desafios diagnósticos e desfecho clínico favorável. Revista De Medicina, 104(4 esp.), e-238333. https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238333