Abscesso hepático associado à colecistolitíase: relato de caso de drenagem percutânea e antibioticoterapia prolongada
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238341Palavras-chave:
Abscesso Hepático Piogênico, Colecistolitíase, Drenagem Percutânea, Radiointervenção, Doença das Vias Biliares, Diagnóstico por ImagemResumo
Abscesso hepático piógeno é uma condição rara, frequentemente associada a doenças biliares ou infecções abdominais prévias. A colecistolitíase crônica pode atuar como foco primário para disseminação bacteriana, favorecendo a formação de abscessos hepáticos multisseptados. O manejo exige abordagem multidisciplinar, integrando tratamento cirúrgico, radiológico e farmacológico.Relato de Caso Mulher de 58 anos procurou o serviço de emergência com dor em hipocôndrio direito há seis meses, agravada nas últimas 24 horas, acompanhada de náuseas, vômitos e perda de peso não quantificada. No exame físico, apresentava sinal de Murphy positivo e dor à palpação em hipocôndrio direito. Os exames laboratoriais mostraram leucocitose (17.120 células/µL), proteína C reativa elevada (321 mg/L) e elevação das enzimas canaliculares (GGT 374 U/L, FA 206 U/L). A ultrassonografia abdominal revelou vesícula biliar com espessamento parietal e múltiplos cálculos, além de heterogeneidade hepática. A tomografia de abdome confirmou abscesso hepático multisseptado nos segmentos V, VI e VII, medindo 10,5 x 9,4 x 10,8 cm. A paciente iniciou antibioticoterapia com ceftriaxona e metronidazol, sendo submetida a colecistectomia inicialmente laparoscópica, convertida para aberta devido a aderências peri-hepáticas. Posteriormente, realizou drenagem percutânea do abscesso com cateter pigtail, mantido por quatro semanas. Recebeu alta após cinco dias de internação pós-drenagem, com acompanhamento clínico e radiológico ambulatorial, que demonstrou resolução progressiva da coleção. Discussão Este caso evidencia a complexidade do manejo do abscesso hepático piógeno volumoso associado à colecistolitíase. A presença de cálculos biliares e inflamação crônica da vesícula sugere disseminação ascendente da infecção para o fígado. A conversão para cirurgia aberta reflete os desafios técnicos diante de inflamação intensa, enquanto a drenagem percutânea mostrou-se eficaz na resolução do abscesso. O tratamento combinou antibioticoterapia prolongada e remoção do foco infeccioso primário, prevenindo recidivas. A elevação das enzimas canaliculares reforçou o comprometimento biliar.
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Referências
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