Abscesso periamigdaliano em paciente jovem com história de tratamento incompleto para faringite
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238350Palavras-chave:
Otorrinolaringopatias, Abscesso Periamigdaliano, faringite, Tonsilite, Tomografia, RadiologiaResumo
O abscesso periamigdaliano consiste em uma coleção de pus entre a cápsula da tonsila palatina e os músculos parafaríngeos, frequentemente surgindo após faringite ou amigdalite. Os principais agentes etiológicos são bactérias gram-positivas, como Streptococcus e Staphylococcus, além de anaeróbios. Clinicamente, manifesta-se por febre, abafamento da voz, trismo, edema cervical e odinofagia unilateral progressiva. O exame físico geralmente revela desvio contralateral da úvula e abaulamento peritonsilar. Sem tratamento adequado, pode evoluir para complicações graves.Relato de Caso Uma paciente de 22 anos, previamente hígida, procurou atendimento por febre intermitente e odinofagia há três semanas. Relatou uso prévio de amoxicilina e, posteriormente, azitromicina, sem melhora. Evoluiu com febre recorrente, odinofagia e exsudato purulento em orofaringe. No atendimento, encontrava-se em bom estado geral, afebril, porém apresentava edema cervical esquerdo doloroso. À oroscopia, observou-se exantema de orofaringe, abaulamento peritonsilar esquerdo e desvio da úvula para a direita. O diagnóstico clínico de abscesso periamigdaliano à esquerda foi confirmado por tomografia computadorizada cervical com contraste, que evidenciou coleção hipoatenuante mal-definida, com realce periférico, medindo 1,6 x 1,5 cm, e edema dos planos adiposos adjacentes, sem outras complicações. A paciente foi encaminhada para atendimento especializado em otorrinolaringologia para manejo definitivo.Discussão O abscesso periamigdaliano é uma complicação supurativa da faringoamigdalite bacteriana, com incidência anual estimada de 30 por 100 mil pessoas entre 5 e 59 anos. O tratamento envolve antibioticoterapia e drenagem da coleção, sendo fundamental para evitar complicações como mediastinite, abscessos cervicais profundos, tromboflebite da veia jugular interna (síndrome de Lemierre) e obstrução de vias aéreas. O diagnóstico é essencialmente clínico, mas a tomografia computadorizada com contraste auxilia na exclusão de celulite peritonsilar e outras complicações. O caso reforça a importância do reconhecimento precoce e do encaminhamento para tratamento especializado.
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Referências
Long B, Gottlieb M. Managing peritonsillar abscess. Annals of Emergency Medicine [Internet]. 2023 Jan 19;82(1):101–7. Available from: https://doi.org/10.1016/j.annemergmed.2022.10.023
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