Abscesso perinéfrico como complicação de pielonefrite em paciente dialítico
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238353Palavras-chave:
Abscesso Perinéfrico, Pielonefrite Complicada, Nefrectomia, Drenagem Cirúrgica, Doença Renal Crônica, Paciente DialíticoResumo
Abscesso perinéfrico é uma complicação rara e potencialmente fatal de infecções do trato urinário, frequentemente diagnosticado tardiamente devido à semelhança dos sintomas com pielonefrite. Em pacientes dialíticos, a imunossupressão relativa, alterações anatômicas do trato urinário e comorbidades elevam o risco de infecções graves. Este relato descreve um caso de abscesso perinéfrico secundário a pielonefrite recorrente em paciente renal crônico, evidenciando os desafios do manejo e a importância da intervenção precoce. Relato de Caso Homem de 64 anos, com doença renal crônica dialítica, apresentou dor intensa no flanco direito, associada a náuseas e vômitos. Duas semanas antes, havia sido tratado por pielonefrite. Ao exame físico, o abdome estava distendido e doloroso à palpação difusa, com massa palpável, sugerindo complicação infecciosa grave. A TC revelou alterações morfológicas no rim direito, coleção de 11 cm com imagens gasosas no espaço perirrenal, infiltração da gordura adjacente e pneumo-retroperitônio. Os exames laboratoriais mostraram anemia (hemoglobina 6,8 g/dL), leucocitose (21.810 células/mm³), PCR elevada (270 mg/L) e hipercalemia (6,3 mEq/L), com ondas T apiculadas no eletrocardiograma. Foi submetido a hemodiálise de urgência e transfusão. Realizou nefrectomia total direita com achado de conteúdo purulento na loja renal. No PO, evoluiu para choque séptico refratário, acidose metabólica e hipercalemia. Após sete dias de terapia intensiva, estabilizou hemodinamicamente, com controle da infecção. Recebeu alta hospitalar após estabilização clínica e nutricional. Discussão Este caso evidencia a associação entre fatores de risco em pacientes dialíticos, como imunossupressão uremia-induzida, presença de cateteres de diálise e alterações urinárias, que favorecem infecções graves e abscessos de difícil controle. A recorrência da pielonefrite sugere falha na erradicação bacteriana ou resistência microbiana. A nefrectomia total foi necessária devido à extensão da necrose, estudos indicam que abscessos maiores que 5 cm, apresentam maior risco de falha terapêutica conservadora, exigindo ressecção radical.
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