Adenocarcinoma de pulmão com disseminação endobrônquica diagnosticado após tratamento inadequado para tuberculose em ex-tabagista
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238411Palavras-chave:
Adenocarcinoma, Pulmão, Tuberculose, Neoplasia, Tabagismo, RadiologiaResumo
O adenocarcinoma de pulmão é o tipo histológico mais frequente de câncer pulmonar, frequentemente associado ao tabagismo. Sua apresentação clínica e radiológica pode simular doenças infecciosas, como a tuberculose, especialmente em pacientes com fatores de risco para ambas as condições. O diagnóstico diferencial é fundamental, pois tratamento e prognóstico diferem significativamente. A confirmação histológica, geralmente obtida por biópsia guiada por imagem ou broncoscopia, é essencial para o manejo adequado. Relato de Caso Uma paciente feminina de 59 anos, ex-tabagista (40 maços.ano), procurou o pronto-socorro com tosse seca, perda ponderal e dispneia progressiva há dois anos, com piora acentuada no último mês. Relatou duas tentativas de tratamento para tuberculose pulmonar (RIPE), ambas com adesão incompleta. No exame físico, encontrava-se em bom estado geral, hemodinamicamente estável, porém taquipneica e saturando 90% com oxigênio suplementar. A tomografia de tórax revelou opacidade consolidativa no lobo superior direito, múltiplos nódulos pulmonares bilaterais e sinais de disseminação endobrônquica, sugerindo acometimento neoplásico. O exame de pBAAR em escarro foi negativo. Após investigação, realizou biópsia pulmonar, cujo resultado imuno-histoquímico confirmou adenocarcinoma de pulmão (TTF1 e CK7 positivos; CK20 e CDX2 negativos) com disseminação endobrônquica. A paciente foi encaminhada para tratamento oncológico. DiscussãoEste caso ilustra as dificuldades diagnósticas em pacientes com quadro clínico e radiológico semelhante ao da tuberculose pulmonar, especialmente em indivíduos com histórico de tabagismo. A disseminação endobrônquica do adenocarcinoma pode simular infecções pulmonares crônicas, levando a atrasos no diagnóstico e tratamentos inadequados. O diagnóstico definitivo requer biópsia pulmonar, sendo fundamental para direcionar o manejo oncológico específico. O início precoce do tratamento oncológico é essencial para controle da doença e melhora da qualidade de vida. O caso reforça a importância da investigação histopatológica em pacientes com sintomas respiratórios persistentes, independentemente do antecedente de tuberculose ou fatores de risco infecciosos.
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Referências
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