Adenocarcinoma pancreático em paciente idosa com comorbidades cardiovasculares
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238460Palavras-chave:
Adenocarcinoma Pancreático, Obstrução Biliar, Colecistite, Infarto Agudo do Miocárdio, Quimioterapia, Cuidados PaliativosResumo
O adenocarcinoma ductal pancreático é uma neoplasia de prognóstico reservado, frequentemente diagnosticada tardiamente e associada a desafios terapêuticos, especialmente em idosos com múltiplas comorbidades. O manejo desses pacientes exige avaliação individualizada, considerando limitações clínicas e riscos cirúrgicos. Este relato apresenta o caso de uma paciente idosa com apresentação inicial sugestiva de colecistite, posteriormente diagnosticada com neoplasia pancreática Relato de Caso Mulher de 78 anos, ex-tabagista, portadora de diabetes mellitus e antecedente de infarto agudo do miocárdio (IAM) tratado com angioplastia e dupla antiagregação plaquetária, apresentou dor abdominal em hipocôndrio direito, náuseas e vômitos por um mês. Inicialmente, recebeu tratamento para colecistite com antibioticoterapia. Durante o tratamento, desenvolveu precordialgia e foi diagnosticada com novo IAM, sendo submetida a angioplastia emergencial. Uma semana após o evento cardíaco, evoluiu com icterícia progressiva, colúria e perda ponderal acentuada (6 kg em 30 dias). A tomografia de abdome revelou lesão hipovascular de 2,0 cm na cabeça pancreática, causando obstrução do ducto pancreático principal e dilatação das vias biliares, sem invasão vascular. A punção aspirativa por agulha fina confirmou adenocarcinoma ductal pancreático. O tumor foi classificado como borderline ressecável, mas a paciente foi considerada inapta para cirurgia devido ao alto risco cardiovascular, desnutrição e idade avançada. Optou-se por quimioterapia paliativa com esquema adaptado à sua condição clínica. Discussão O caso evidencia a complexidade do manejo do câncer pancreático em pacientes com comorbidades cardiovasculares e fragilidade funcional. Apresentação inicial inespecífica retardou o diagnóstico, ressaltando a importância da investigação por imagem em pacientes de risco. A contraindicação cirúrgica, apesar da ressecabilidade tumoral, ilustra o impacto das comorbidades nas decisões terapêuticas em idosos. A quimioterapia paliativa buscou equilibrar eficácia e tolerabilidade, priorizando qualidade de vida. A abordagem multidisciplinar foi essencial para integrar cuidados oncológicos, cardiológicos e nutricionais.
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