Adenocarcinoma pancreático metastático manifestando-se como apendicite aguda: relato de caso e discussão
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238462Palavras-chave:
Apendicite, Adenocarcinoma, Carcinomatose Peritoneal, Neoplasias Pancreáticas, Metástase, ApendicectomiaResumo
A apendicite aguda é uma das causas mais frequentes de abdome agudo. Em situações raras, neoplasias primárias ou metastáticas podem desencadear o quadro inflamatório, tornando o diagnóstico e o manejo mais complexos. O adenocarcinoma pancreático é uma neoplasia agressiva, comumente diagnosticada em estágios avançados e com metástases, mas a disseminação para o apêndice cecal é extremamente rara. Este relato apresenta um caso em que a manifestação inicial de metástase pancreática foi a apendicite aguda, evidenciando a complexidade diagnóstica e terapêutica nesses pacientes. Relato de Caso Homem de 61 anos apresentava perda de peso significativa (15 kg em dois meses) e dor abdominal arrastada há três meses. Já havia sido submetido a investigação por lesão expansiva no pâncreas, sem diagnóstico definitivo. Procurou o PS por febre, calafrios, vômitos, anorexia e dor abdominal progressiva em FID há uma semana. No exame físico, apresentava instabilidade hemodinâmica, taquicardia, taquipneia, abdome distendido, ruídos hidroaéreos diminuídos e dor com defesa localizada em FID. A tomografia de abdome contrastada mostrou apendicite aguda com processo inflamatório bloqueado e lesão pancreática com disseminação locorregional e metástases. Após discussão familiar sobre o alto risco cirúrgico, optou-se por apendicectomia aberta. Durante o procedimento, o paciente evoluiu com colapso hemodinâmico, necessitou de drogas vasoativas e foi encaminhado à UTI, evoluindo com choque séptico refratário e óbito no terceiro dia pós-operatório. Anatomopatológico do apêndice revelou adenocarcinoma moderadamente diferenciado, padrão metastático, além de apendicite aguda e periapendicite. Discussão A apendicite aguda causada por metástase é rara, especialmente de origem pancreática, e geralmente ocorre em estágios avançados, indicando mau prognóstico. O quadro clínico pode simular apendicite comum, dificultando a suspeita de etiologia neoplásica, principalmente na ausência de diagnóstico oncológico prévio. O manejo é desafiador, exigindo ponderação entre os riscos cirúrgicos e o estado clínico do paciente. A confirmação anatomopatológica é fundamental para elucidar o quadro.
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