Apendicite aguda em gestante primigesta de 21 semanas: diagnóstico desafiador e manejo cirúrgico eficaz

Autores

  • Isabela Pinto Soares Verardo Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil. https://orcid.org/0009-0009-5657-3485 (não autenticado)
  • Maria Helena Istake Cantagalli Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.
  • Laura Robles Rafael Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.
  • Ana Carolina Maia Gouveia Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.
  • Brenda Martines Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.
  • Rodrigo Frati Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238475

Palavras-chave:

Apendicite Aguda, Cirurgia Em Gestantes, Emergência Obstétrica, Apendicectomia na Gestação, Gestante Primigesta, Diagnóstico Diferencial na Gestação

Resumo

A apendicite aguda é a emergência abdominal cirúrgica mais comum, sendo o principal motivo de intervenção cirúrgica de urgência. Durante a gestação, o diagnóstico pode ser desafiador devido às alterações anatômicas e fisiológicas, que modificam a apresentação clínica típica da doença. O crescimento uterino desloca o apêndice, tornando a dor mais imprecisa e difusa, o que pode atrasar o diagnóstico e aumentar o risco de complicações. Relato de Caso Paciente primigesta de 22 anos, com 21 semanas e 2 dias de gestação, procurou o PS obstétrico queixando-se de dor uterina intensa associada a náuseas e vômitos, com início há cerca de uma semana. Relatava episódios de calafrios, embora não tivesse aferido febre. No exame físico, a manobra de descompressão brusca não foi conclusiva, mas a manobra de Rovsing foi positiva, sugerindo irritação peritoneal. Ultrassonografias abdominal e obstétrica foram solicitadas, além de exames laboratoriais. A ultrassonografia abdominal não visualizou o apêndice, levando à realização de tomografia computadorizada, que evidenciou sinais compatíveis com apendicite aguda. Os exames laboratoriais mostraram linfocitose, neutrofilia e elevação da proteína C reativa. A ultrassonografia obstétrica demonstrou feto com boa vitalidade. Com base nos achados, realizou-se laparotomia para apendicectomia. O exame anatomopatológico confirmou apendicite aguda úlcero-flegmonosa. A paciente evoluiu bem no pós-operatório, recebeu alta e foi acompanhada ambulatorialmente sem intercorrências. Discussão Apendicite aguda na gestação apresenta diagnóstico difícil devido às alterações anatômicas e sintomas inespecíficos, como náuseas e vômitos, comuns na gravidez. O deslocamento do apêndice pelo aumento uterino altera a localização da dor, dificultando a identificação precisa. O atraso no diagnóstico pode levar a complicações graves, como perfuração, aumentando a morbimortalidade materna e fetal. O diagnóstico precoce e tratamento oportuno, geralmente cirúrgico, associam-se a desfechos favoráveis. Este caso reforça a importância do conhecimento das particularidades clínicas da apendicite em gestantes para prevenir complicações.

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Referências

Risk of Acute Appendicitis in and Around Pregnancy: A Population-Based Cohort Study From England. Zingone F, Sultan AA, Humes DJ, West J. Annals of Surgery. 2015;261(2):332-7. doi:10.1097/SLA.0000000000000780.

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Publicado

2025-07-01

Como Citar

Verardo, I. P. S. ., Cantagalli, M. H. I. ., Rafael, L. R. ., Gouveia, A. C. M. ., Martines, B. ., & Frati, R. . (2025). Apendicite aguda em gestante primigesta de 21 semanas: diagnóstico desafiador e manejo cirúrgico eficaz. Revista De Medicina, 104(4 esp.), e-238475. https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238475