Atresia jejunal do tipo "apple peel": relato de uma abordagem inovadora para reconstrução
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238568Palavras-chave:
Atresia, Jejunal, Reconstrução, Cirurgia, Pediatria, ObstruçãoResumo
Atresia duodenal tipo IIIb, conhecida como "apple peel", é uma rara anomalia congênita do trato gastrointestinal caracterizada pela dilatação do jejuno proximal em fundo cego e por um segmento intestinal helicoidal que se enrola em torno de um vaso sanguíneo, geralmente um ramo ileocólico ou paracólico direito. A artéria mesentérica superior está ausente a partir da artéria cólica média, e o intestino delgado distal é desprovido de meso. Relato de Caso RN, nascida com 36 semanas, apresentou polidrâmnio no terceiro trimestre. Ao nascer, pesou 3140 g e apresentou desconforto respiratório, necessitando de CPAP. Na unidade neonatal, teve três episódios de vômitos biliosos, mantendo sinais vitais estáveis. Radiografia abdominal evidenciou distensão das alças do intestino delgado, principalmente estômago e duodeno. Foi colocada sonda nasogástrica para descompressão. A leucocitose (16.500/mm³) motivou laparotomia exploradora. Durante a cirurgia, identificou-se jejuno proximal dilatado com 6 cm de diâmetro, terminando a 8 cm do ângulo de Treitz, e segmento intestinal helicoidal hipoplásico em fundo cego. Percorreu-se todo o trato gastrointestinal sem outras áreas atrésicas, porém com má perfusão do íleo distal e grande diferença de calibre entre as porções proximal e espiral do jejuno. Realizou-se tailoring da porção dilatada para equiparação dos calibres, com retirada de retalho triangular antimesentérico e sutura em dois planos. A porção isquêmica do íleo distal foi ressecada e reconstruída. A paciente foi mantida com sonda nasoenteral, transferida estável para a UTI neonatal, iniciando alimentação em 48 horas. Discussão Atresia duodenal tipo IIIb é uma condição rara, representando 5 a 10% das atresias intestinais, associada à ausência da artéria mesentérica superior distal e à configuração em espiral do intestino delgado. Etiologia envolve provável acidente vascular intra útero. O manejo cirúrgico exige adaptação para equiparar calibres intestinais e ressecção de segmentos isquêmicos, visando preservar o máximo possível do intestino funcional.
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