Avaliação inicial e manejo de ferimento corto-contuso (FCC) cervical

Autores

  • Paula Souza Ramalho Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil. https://orcid.org/0009-0009-5657-3485
  • Priscilla D'avila Mazzuco Alves Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.
  • Rafaela Maria Zacchi Martucci Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.
  • Brenda Martines Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.
  • Rodrigo Frati Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.
  • Vergilius Araujo Neto Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238570

Palavras-chave:

Ferimento Corto-contuso, Região Cervical, Trauma Penetrante, Trauma Cervical, Via Aérea, Manejo Inicial

Resumo

 Ferimentos penetrantes da região cervical, especialmente os corto-contusos, representam um desafio significativo para a prática médica devido à complexidade anatômica e ao risco elevado de lesões em estruturas vitais. A abordagem inicial deve ser rápida e sistemática, incluindo suporte avançado de vida e, muitas vezes, intervenção cirúrgica precoce. Relato de Caso Homem de 58 anos apresentou dor súbita cervical associada à perda do nível de consciência. Foi encontrado com grande quantidade de sangue e lesão cervical anterior circunferencial. Admitido em sala de emergência, estabilizado hemodinamicamente e encaminhado para exploração cirúrgica de ferimentos corto-contusos (FCC) em centro cirúrgico. Durante a cirurgia, identificaram-se FCCs de aproximadamente 13 cm na região cervical direita, zona II, com exposição do platisma e secção da veia jugular externa, sem sangramento ativo proximal ou distal. Na cervical esquerda, zona II, encontraram-se FCCs de 4 cm e 6 cm, com exposição do platisma e sem sangramentos ativos, além de lesões superficiais de 3 cm com exposição da derme. Realizaram dissecção e ligadura da veia jugular externa direita, sutura do subcutâneo e pele das demais lesões, lavagem extensa e curativo estéril. No PO paciente permaneceu hemodinamicamente estável, mas necessitou abertura de pontos no terço distal da ferida e iniciou antibioticoterapia. Discussão Este caso exemplifica os desafios no manejo de ferimentos cervicais corto-contusos. Tradicionalmente, a violação do platisma indicava exploração cirúrgica obrigatória, mas abordagens recentes valorizam a avaliação seletiva baseada em achados clínicos e exames complementares, reduzindo intervenções desnecessárias. Conduta inicial segue os princípios do ATLS, e pacientes hemodinamicamente instáveis, com sangramento ativo, hematoma expansivo, enfisema subcutâneo progressivo ou sinais de lesão traqueal/esofágica devem ser levados diretamente à cirurgia exploratória. Classificação anatômica em zonas cervicales orienta o manejo: lesões em zonas I e III demandam exames avançados, como angiotomografia, e planejamento cirúrgico cuidadoso devido à dificuldade de acesso.

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Referências

Demetriades D, et al. "Penetrating injuries to the neck: A prospective study of 223 patients." World J Surg. 2020.

Inaba K, et al. "Cervical Spine and Neck Trauma." Surg Clin North Am. 2021.

David V. Feliciano, Kenneth L. Mattox, Ernest E. Moore. Trauma. 9ª edição. 2020.

Evaluation and Management of Penetrating Neck Trauma: An Eastern Association for the Surgery of Trauma Practice Management Guideline. Disponível em: https://www.east.org/Content/documents/practicemanagementguidelines/neck-penetrating-tra.pdf

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Publicado

2025-07-02

Como Citar

Ramalho, P. S. ., Alves, P. D. M. ., Martucci, R. M. Z. ., Martines, B., Frati, R. ., & Neto, V. A. . (2025). Avaliação inicial e manejo de ferimento corto-contuso (FCC) cervical. Revista De Medicina, 104(4 esp.), e-238570. https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238570