Avaliação inicial e manejo de ferimento corto-contuso (FCC) cervical
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238570Palavras-chave:
Ferimento Corto-contuso, Região Cervical, Trauma Penetrante, Trauma Cervical, Via Aérea, Manejo InicialResumo
Ferimentos penetrantes da região cervical, especialmente os corto-contusos, representam um desafio significativo para a prática médica devido à complexidade anatômica e ao risco elevado de lesões em estruturas vitais. A abordagem inicial deve ser rápida e sistemática, incluindo suporte avançado de vida e, muitas vezes, intervenção cirúrgica precoce. Relato de Caso Homem de 58 anos apresentou dor súbita cervical associada à perda do nível de consciência. Foi encontrado com grande quantidade de sangue e lesão cervical anterior circunferencial. Admitido em sala de emergência, estabilizado hemodinamicamente e encaminhado para exploração cirúrgica de ferimentos corto-contusos (FCC) em centro cirúrgico. Durante a cirurgia, identificaram-se FCCs de aproximadamente 13 cm na região cervical direita, zona II, com exposição do platisma e secção da veia jugular externa, sem sangramento ativo proximal ou distal. Na cervical esquerda, zona II, encontraram-se FCCs de 4 cm e 6 cm, com exposição do platisma e sem sangramentos ativos, além de lesões superficiais de 3 cm com exposição da derme. Realizaram dissecção e ligadura da veia jugular externa direita, sutura do subcutâneo e pele das demais lesões, lavagem extensa e curativo estéril. No PO paciente permaneceu hemodinamicamente estável, mas necessitou abertura de pontos no terço distal da ferida e iniciou antibioticoterapia. Discussão Este caso exemplifica os desafios no manejo de ferimentos cervicais corto-contusos. Tradicionalmente, a violação do platisma indicava exploração cirúrgica obrigatória, mas abordagens recentes valorizam a avaliação seletiva baseada em achados clínicos e exames complementares, reduzindo intervenções desnecessárias. Conduta inicial segue os princípios do ATLS, e pacientes hemodinamicamente instáveis, com sangramento ativo, hematoma expansivo, enfisema subcutâneo progressivo ou sinais de lesão traqueal/esofágica devem ser levados diretamente à cirurgia exploratória. Classificação anatômica em zonas cervicales orienta o manejo: lesões em zonas I e III demandam exames avançados, como angiotomografia, e planejamento cirúrgico cuidadoso devido à dificuldade de acesso.
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Referências
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