Câncer de coto gástrico após gastrectomia parcial do tipo billroth ii por doença ulcerosa péptica: relato de caso
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238573Palavras-chave:
Câncer de Coto Gástrico, Gastrectomia Parcial, Billroth Ii, Neoplasia Gástrica Tardia, Reconstrução Em y de Roux, Vigilância EndoscópicaResumo
O câncer de coto gástrico (CCG) é uma neoplasia distinta que surge no remanescente gástrico após gastrectomia parcial por úlcera benigna, geralmente décadas após a cirurgia. A incidência varia de 0,8% a 8,9%, sendo mais comum em reconstruções do tipo Billroth II. A patogênese envolve refluxo biliopancreático, gastrite atrófica, acloridria e infecção pelo vírus Epstein-Barr, fatores que promovem alterações pré-neoplásicas na mucosa remanescente. Relato de Caso Um homem de 80 anos, submetido a gastrectomia parcial tipo Billroth II aos 18 anos por úlcera péptica, apresentou síndrome consumptiva com perda ponderal, anemia sintomática e hemorragia digestiva alta manifestada por melena. A endoscopia revelou lesão tumoral vegetante e infiltrativa que ocupava quase todo o coto gástrico, estendendo-se do corpo alto até a anastomose gastrojejunal, com sangramento ativo difuso e difícil controle endoscópico, caracterizando carcinoma avançado do tipo Borrmann IV. A tomografia confirmou lesão infiltrativa no remanescente gástrico. O paciente foi submetido a degastrectomia com reconstrução em Y de Roux, sem linfadenectomia. Durante a cirurgia identificou-se tumor de 10cm na anastomose, sem metástases ou linfonodomegalias. O pós-operatório inicial foi estável, porém o paciente evoluiu com piora clínica e faleceu no 17º dia devido a complicações. Discussão Este caso exemplifica a evolução tardia e agressiva do CCG em paciente idoso, décadas após gastrectomia parcial. Apesar da redução das gastrectomias eletivas para úlceras benignas com o advento de terapias medicamentosas, o risco de CCG persiste, especialmente em reconstruções Billroth II. A apresentação clínica com anemia, perda ponderal e sangramento reforça a necessidade de suspeita diagnóstica em pacientes com histórico cirúrgico compatível. O diagnóstico precoce é crucial para melhores resultados, embora o risco cirúrgico aumente com a idade. Vigilância endoscópica prolongada, iniciada um ano após a cirurgia e mantida por pelo menos dez anos, pode ser decisiva e alterar o curso clínico desses pacientes.
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Referências
Gastric Cancer, Version 2.2022, NCCN Clinical Practice Guidelines in Oncology. Ajani JA, D'Amico TA, Bentrem DJ, et al. Journal of the National Comprehensive Cancer Network : JNCCN. 2022;20(2):167-192. doi:10.6004/jnccn.2022.0008.
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