Carcinoma adenóide cístico do brônquio-fonte em paciente de 11 anos: relato de caso e revisão de literatura
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238574Palavras-chave:
Tumores Pediátricos, Carcinoma Adenóide Cístico, Tumores de Vias Aéreas, Cirurgia Torácica, Cirurgia PediátricaResumo
O carcinoma adenoide cístico (CAC) é uma neoplasia rara das vias aéreas, especialmente em crianças, representando menos de 1% dos tumores pulmonares pediátricos. O diagnóstico é desafiador devido à apresentação clínica inespecífica, frequentemente simulando infecções respiratórias comuns. O reconhecimento precoce é fundamental para o manejo adequado e melhora do prognóstico. Relato de Caso Uma menina de 11 anos, previamente saudável, apresentou febre persistente e tosse por uma semana. No exame físico, apresentava murmúrio vesicular reduzido na base direita do tórax e estertores difusos, sem sinais de desconforto respiratório. A radiografia de tórax mostrou consolidação extensa no pulmão direito. A tomografia computadorizada revelou lesão vascularizada no brônquio fonte direito, com estreitamento da luz brônquica, hipoinsuflação pulmonar e consolidação inflamatória. A paciente foi submetida à broncoscopia com biópsia, que confirmou carcinoma adenóide cístico primário da traqueia. Após tratamento da infecção, realizou-se ressecção cirúrgica de segmento de 2 cm do brônquio fonte direito, adjacente à carina, com remoção completa do tumor e anastomose término-terminal. O exame anatomopatológico evidenciou inflamação granulomatosa necrosante com bacilos álcool-ácido resistentes, confirmando tuberculose pulmonar associada. Discussão O caso destaca a importância de considerar neoplasias em quadros respiratórios persistentes em crianças previamente saudáveis. O CAC apresenta crescimento lento, mas pode causar obstrução brônquica significativa, simulando infecções pulmonares comuns. A tomografia e a broncoscopia são essenciais para diagnóstico e estadiamento. O tratamento preferencial é a ressecção cirúrgica completa, visando margens livres de doença. O prognóstico depende da invasão local e da possibilidade de remoção total do tumor. Este relato reforça a necessidade de investigação aprofundada em quadros respiratórios atípicos ou refratários, permitindo diagnóstico precoce e manejo adequado de tumores raros como o carcinoma adenóide cístico em crianças.
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Referências
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