Carcinoma adrenocortical funcional com metástases pulmonares em paciente jovem: relato de caso
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238576Palavras-chave:
Carcinoma Adrenocortical, Neoplasia Endócrina, Metástase Pulmonar, Síndrome de Cushing, Paciente Jovem, Tomografia ComputadorizadaResumo
O carcinoma adrenocortical (CAC) é uma neoplasia rara e agressiva que pode causar produção excessiva de hormônios esteróides, especialmente cortisol, resultando em síndrome de Cushing. Embora seja mais comum em crianças e adultos de meia-idade, pode acometer indivíduos jovens, apresentando quadro clínico complexo e diagnóstico desafiador. A presença frequente de metástases no diagnóstico inicial está associada a pior prognóstico. Relato de Caso Um homem de 27 anos, sem comorbidades prévias, procurou atendimento médico com fraqueza generalizada, aumento progressivo do volume abdominal, estrias violáceas difusas e cefaleia holocraniana, sintomas iniciados há cerca de 30 dias. Referia também poliúria, polidipsia e histórico recente de internação para tratamento de nefrolitíase no rim direito, com colocação de cateter duplo J. No exame físico, apresentava hipertensão arterial severa (190/110 mmHg), estrias disseminadas, edema discreto e hiporreflexia patelar. Os exames laboratoriais evidenciaram hipocalemia grave (2,4 mEq/L), hiperglicemia (190 mg/dL), glicosúria e cetonúria. Durante a internação, detectou hipercortisolismo matinal significativo (cortisol 60 mcg/dL) e alcalose metabólica leve. A tomografia computadorizada contrastada de abdome e pelve revelou massa heterogênea e vascularizada na adrenal esquerda, associada a linfonodomegalias retroperitoneais. O diagnóstico de carcinoma adrenocortical funcional secretor de cortisol com metástases pulmonares foi estabelecido. O paciente foi encaminhado para ressecção cirúrgica e tratamento oncológico. Discussão O carcinoma adrenocortical funcional caracteriza-se pela produção autônoma e excessiva de cortisol, causando síndrome de Cushing, com hipertensão, hiperglicemia, hipocalemia, estrias cutâneas violáceas e alterações metabólicas. A hipocalemia grave resulta do efeito mineralocorticoide do cortisol em altas concentrações. A presença de massa adrenal volumosa, linfonodomegalias e metástases pulmonares indica doença avançada e pior prognóstico. O diagnóstico precoce é difícil devido à inespecificidade dos sintomas. O tratamento do CAC metastático é complexo, envolvendo cirurgia, mitotano e quimioterapia, com resposta limitada.
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Referências
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