Carcinoma hepatocelular avançado em paciente com hepatite c crônica: desafios diagnósticos e terapêuticos
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238606Palavras-chave:
Hemorragia Digestiva Alta, Hepatocarcinoma, Hepatite C, EndoscopiaResumo
O carcinoma hepatocelular (CHC) é o tumor maligno primário mais comum do fígado, frequentemente associado a doenças hepáticas crônicas como hepatite C, cirrose e esteatohepatite alcoólica. A progressão silenciosa da doença dificulta o diagnóstico precoce, resultando em muitos casos diagnosticados em estágios avançados, quando as opções terapêuticas são limitadas e o prognóstico é desfavorável. Complicações como hipertensão portal, trombose da veia porta e hemorragia por varizes esofágicas agravam o quadro clínico. Relato de Caso Homem de 58 anos, com hepatite C crônica há 10 anos, procurou atendimento com queixas de dor abdominal há dois meses, associada a hiporexia, náuseas, vômitos e perda ponderal de 12 kg. Referiu fezes escuras e episódio de hematêmese recente. No exame físico, apresentava icterícia e hepatomegalia, porém estava hemodinamicamente estável. Os exames laboratoriais mostraram elevação das enzimas hepáticas, bilirrubinas totais e diretas elevadas, além de marcante aumento da gama-glutamiltransferase e fosfatase alcalina. A alfa-fetoproteína estava extremamente elevada (488.000 ng/mL). A tomografia computadorizada evidenciou múltiplas lesões hipervascularizadas no fígado, com realce arterial e washout, além de trombose neoplásica da veia porta. A endoscopia digestiva alta revelou varizes esofágicas sangrantes, tratadas com ligadura elástica. Durante o procedimento, o paciente apresentou hematêmese maciça e broncoaspiração, evoluindo para colapso pulmonar e necessidade de UTI. Devido ao quadro avançado, optou-se por cuidados paliativos, e o paciente faleceu 10 horas após a internação.Discussão O CHC é uma neoplasia agressiva que frequentemente surge em fígados cirróticos, principalmente em pacientes com hepatite C crônica. A trombose da veia porta indica doença avançada e pior prognóstico. A alfa-fetoproteína é um marcador importante para diagnóstico e acompanhamento. Complicações da hipertensão portal, como varizes esofágicas e hemorragias, aumentam a morbimortalidade. O manejo endoscópico é essencial para controle do sangramento, mas episódios graves podem ser fatais, especialmente em pacientes com função hepática comprometida.
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