Carcinoma hepatocelular moderadamente diferenciado em paciente sem hepatopatia preexistente: relato de caso

Autores

  • Maély de Oliveira Ignácio Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil. https://orcid.org/0009-0009-5657-3485 (não autenticado)
  • Mariana Ingrid Silva Silveira Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.
  • Sofia Carolina Cantuario de Oliveira Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.
  • Matheus Augusto Indalecio Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.
  • Brenda Martines Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.
  • Rodrigo Frati Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238609

Palavras-chave:

Carcinoma Hepatocelular, Neoplasias Hepáticas, Fígado Nãocirrótico, Alfafetoproteína, Biópsia Hepática, Icterícia

Resumo

 O carcinoma hepatocelular (CHC) é o tumor maligno primário mais comum do fígado, frequentemente associado a hepatopatias crônicas, como hepatite viral e cirrose. Contudo, pode ocorrer em pacientes sem fatores de risco clássicos, o que dificulta o diagnóstico precoce e compromete o prognóstico. A combinação de exames de imagem e marcadores tumorais, especialmente a alfa-fetoproteína (AFP), é fundamental para o diagnóstico. Relato de Caso Um homem de 76 anos, hipertenso e diabético, sem histórico de etilismo, tabagismo ou hepatopatia conhecida, apresentou dor abdominal, icterícia e perda ponderal progressiva há três meses, com piora recente incluindo inapetência, fadiga, plenitude gástrica, colúria e acolia fecal. No exame físico, estava ictérico (3+/4+) e com dor à palpação no hipocôndrio direito. Os exames laboratoriais indicaram disfunção hepática, com bilirrubinas totais e diretas elevadas, TGO e TGP aumentados, além de elevação das enzimas canaliculares e AFP superior a 1210 ng/mL. A gasometria revelou acidose metabólica e lactato elevado. A tomografia evidenciou lesão hepática infiltrativa, hipodensa, com realce heterogêneo e progressivo, comprometendo o hilo hepático e causando dilatação das vias biliares intra e extra-hepáticas, sugerindo neoplasia primária. A biópsia confirmou CHC moderadamente diferenciado. Discussão Embora o CHC esteja geralmente relacionado à cirrose e hepatites crônicas, entre 11% e 26% dos casos ocorrem sem hepatopatia conhecida, frequentemente diagnosticados tardiamente pela ausência de rastreamento. A elevação da AFP, associada a achados radiológicos típicos, é crucial para o diagnóstico. Em fígados não cirróticos, o CHC tende a apresentar lesões maiores, com margens nítidas e padrão em mosaico. A icterícia obstrutiva neste caso decorreu do padrão infiltrativo hilar, que pode simular colangiocarcinoma. O envolvimento do hilo hepático, embora raro, impacta negativamente o prognóstico e limita opções cirúrgicas. A confirmação histopatológica é essencial para o diagnóstico definitivo.

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Publicado

2025-07-03

Como Citar

Ignácio, M. de O. ., Silveira, M. I. S. ., Oliveira, S. C. C. de ., Indalecio, M. A. ., Martines, B. ., & Frati, R. . (2025). Carcinoma hepatocelular moderadamente diferenciado em paciente sem hepatopatia preexistente: relato de caso. Revista De Medicina, 104(4 esp.), e-238609. https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238609