Colecistite aguda complicada com colangite e necessidade de conversão para cirurgia aberta: relato de caso
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238626Palavras-chave:
Colecistite, Colangite, Colecistectomia, Conversão, Complicação, ColelitíaseResumo
A colecistite aguda caracteriza-se pela inflamação da vesícula biliar, geralmente causada pela obstrução do ducto cístico por cálculo biliar. Essa condição é uma das principais causas de dor abdominal aguda em emergências e pode resultar em morbimortalidade significativa se não diagnosticada e tratada adequadamente. O quadro clínico típico inclui dor no hipocôndrio direito, febre e leucocitose, podendo evoluir para complicações como supuração ou perfuração da vesícula. Relato de Caso Uma mulher de 45 anos deu entrada em pronto-atendimento com dor abdominal há duas semanas, associada a náuseas e múltiplas buscas por atendimento, sem achados urgentes nos exames iniciais. Apresentava antecedente de colecistopatia calculosa diagnosticada. Nos últimos quatro dias, a dor piorou, associada a febre e vômitos. Encontrava-se em estado geral regular, estável hemodinamicamente, com abdome doloroso à palpação, principalmente no hipocôndrio direito, e sinal de Murphy positivo, sem sinais de irritação peritoneal. A ultrassonografia evidenciou vesícula distendida, com espessamento parietal e múltiplos cálculos. A tomografia confirmou vesícula distendida com realce e espessamento da parede, densificação da gordura regional e realce do colédoco. Diagnosticou-se colecistite aguda e iniciou-se antibioticoterapia com ceftriaxona e metronidazol. Realizou-se colangiopancreatografia com cateterização seletiva da via biliar e papilotomia, com drenagem de grande quantidade de pus. Optou-se por colecistectomia videolaparoscópica, convertida para cirurgia aberta devido à dificuldade de identificação anatômica e hemorragia hepática. No pós-operatório, a paciente apresentou dor abdominal persistente, controlada com analgesia otimizada, evoluindo favoravelmente e recebendo alta no quinto dia. Discussão O caso evidencia a evolução clínica prolongada e a dificuldade no diagnóstico precoce da colecistite aguda complicada. A presença de febre, vômitos e dor persistente, associada a achados inflamatórios na tomografia, indicou colecistite moderada (grau II) segundo a Classificação de Tokyo. A CPRE com drenagem de pus sugeriu colangite associada, justificando o uso de antibióticos de amplo espectro e abordagem endoscópica pré-operatória.
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Okamoto K, Suzuki K, Takada T, et al. Tokyo Guidelines 2018: flowchart for the management of acute cholecystitis. J Hepatobiliary Pancreat Sci 2018; 25:55.
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