Colecistite aguda gangrenosa em paciente de alto risco cardiovascular
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238643Palavras-chave:
Colecistite Aguda Gangrenosa, Vesícula Biliar, Abdomen Agudo Inflamatório, Cirurgia do Aparelho Digestivo, Urgências Cirúrgicas, ColelitíaseResumo
A colecistite aguda é uma inflamação da vesícula biliar, frequentemente associada a cálculos biliares, que pode evoluir para formas graves como a colecistite gangrenosa, especialmente em pacientes com múltiplas comorbidades. O manejo torna-se ainda mais desafiador em indivíduos com alto risco cardiovascular, como aqueles com síndrome coronariana aguda recente. Relato de Caso Uma mulher de 58 anos, com hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus e dislipidemia, foi internada em unidade de terapia intensiva (UTI) por síndrome coronariana aguda (SCA). Após estabilização, transferiram-na para enfermaria, onde evoluiu com dor no hipocôndrio direito, náuseas e vômitos. A tomografia computadorizada (TC) abdominal indicou colecistite aguda, com vesícula hidrópica com espessamento e solução de continuidade parietal, além de alteração perfusional do parênquima hepático adjacente. Considerada de alto risco cardiovascular, a paciente foi submetida à colecistectomia convencional. Durante a cirurgia, identificaram coleção purulenta entre vesícula e fígado, parede vesicular necrótica e múltiplos cálculos. Apresentou bradicardia e oscilações pressóricas, manejadas com drogas vasoativas. O exame anatomopatológico confirmou colecistite crônica calculosa em surto agudo gangrenoso. No pós-operatório, a paciente foi para UTI, extubada no primeiro dia, recebeu alta hospitalar no quarto dia e evoluiu favoravelmente. Discussão A colecistite gangrenosa é uma complicação grave da colecistite aguda, associada à obstrução prolongada do ducto cístico e infecção secundária. Pacientes com comorbidades, especialmente diabéticos e portadores de doença cardiovascular, têm maior risco de evolução para formas graves. O diagnóstico precoce por ultrassonografia e TC é fundamental para o planejamento cirúrgico. Neste caso, sinais de gravidade como espessamento, delaminação e necrose transmural indicaram cirurgia mesmo com alto risco cardiovascular. A colecistectomia convencional, associada a suporte intensivo, foi essencial para controle da infecção e prevenção de complicações. O manejo intraoperatório das instabilidades hemodinâmicas e o suporte em UTI foram determinantes para o desfecho favorável.
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Referências
Risk Factors for Acute Gangrenous Cholecystitis in Emergency General Surgery Patients. Bourikian S, Anand RJ, Aboutanos M, Wolfe LG, Ferrada P. American Journal of Surgery. 2015;210(4):730-3. doi:10.1016/j.amjsurg.2015.05.003.
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