Colecistite alitiásica complicada por abscesso hepático e colite por clostridium difficile em paciente jovem: relato de caso

Autores

  • Igor José Nogueira Gualberto Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil. https://orcid.org/0009-0009-5657-3485
  • Henrique Cannever Velho Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.
  • Thatiane Lima Barreto Rolleri Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.
  • Carolina Naomi Torigoe Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.
  • Thales Baptista Gut Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.
  • Brenda Martines Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238644

Palavras-chave:

Colecistite, Abcesso Hepático, Enterocolite Pseudomembranosa

Resumo

Colecistite alitiásica é uma inflamação da vesícula biliar que ocorre sem a presença de cálculos, frequentemente associada a processos infecciosos ou isquêmicos. Embora menos comum que a colecistite litiásica, pode evoluir para quadros clínicos graves. A infecção por Clostridium difficile é uma causa importante de colite associada ao uso de antibioticoterapia, podendo agravar o quadro clínico e dificultar a recuperação. Relato de Caso Homem de 22 anos procurou atendimento hospitalar com dor intensa no hipocôndrio direito, associada a vômitos recorrentes há dois dias. Referiu internação prévia uma semana antes devido a salmonelose com colite e colecistite alitiásica, tratada com antibioticoterapia. No exame físico, encontrava-se em estado geral regular, hemodinamicamente estável, com abdome flácido e doloroso à palpação difusa, apresentando sinal de Murphy positivo. Os exames laboratoriais mostraram leucocitose (17.780/mm³), lipase elevada (530U/L), GGT (209U/L) e fosfatase alcalina (53U/L) aumentadas. A tomografia computadorizada revelou vesícula biliar hiperdistendida, com espessamento e irregularidade parietal e coleções comunicantes no hilo hepático. Paciente iniciou antibioticoterapia com ceftriaxona e metronidazol e foi submetido à colecistectomia videolaparoscópica, com drenagem de coleção purulenta. No pós-operatório. Dois dias depois, retornou com dor abdominal intensa, hipotensão, febre, vômitos, diarréia e sonolência. Diagnóstico de sepse abdominal foi estabelecido, e nova tomografia evidenciou espessamento parietal do cólon esquerdo, sugestivo de colite. O exame identificou infecção por Clostridium difficile. Iniciou tratamento com vancomicina e metronidazol, obtendo boa resposta clínica e alta com acompanhamento ambulatorial.Discussão A colecistite alitiásica representa um desafio clínico devido à associação com quadros infecciosos graves e maior risco de complicações. No caso apresentado, a salmonelose e colite prévias sugerem disfunção imunológica que favoreceu a inflamação vesicular sem cálculos. O desenvolvimento subsequente de colite por Clostridium difficile, comum após antibioticoterapia prolongada, agravou o quadro clínico, levando à sepse e à necessidade de reavaliação terapêutica. 

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Referências

SANTOS, L. H. B. dos et al. Abscesso hepático piogênico: experiência em hospital universitário. Arquivos Brasileiros de Cirurgia Digestiva, São Paulo, v. 34, n. 3, p. e1614, 2021.

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Publicado

2025-07-04

Como Citar

Gualberto, I. J. N. ., Velho, H. C. ., Rolleri, T. L. B. ., Torigoe, C. N. ., Gut, T. B. ., & Martines, B. . (2025). Colecistite alitiásica complicada por abscesso hepático e colite por clostridium difficile em paciente jovem: relato de caso. Revista De Medicina, 104(4 esp.), e-238644. https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238644