Colecistite com síndrome de mirizzi: diagnóstico e desafios clínicos
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238645Palavras-chave:
Síndrome de Mirizzi, Colecistite, Colecistectomia, Colestase, Imageamento por Ressonância Magnética, UltrassonografiaResumo
A Síndrome de Mirizzi ocorre pela obstrução do ducto biliar comum ou do ducto hepático comum devido à compressão extrínseca causada por cálculos biliares impactados, seja múltiplos ou um único cálculo grande no infundíbulo. Os sintomas incluem dor no quadrante superior do abdome e icterícia, semelhantes aos da colecistite. A síndrome frequentemente não é diagnosticada no pré-operatório, o que pode aumentar a morbidade e o risco de lesão das vias biliares, especialmente em cirurgias laparoscópicas. Relato de Caso Um homem de 70 anos, com hipertensão arterial sistêmica, apresentou dor abdominal em faixa há três dias, irradiando para dorso e pelve, com piora após ingestão de alimentos gordurosos. No exame físico, encontrava-se ictérico e com abdome doloroso à palpação difusa. Os exames laboratoriais revelaram aumento da bilirrubina total, principalmente direta, e elevação das enzimas canaliculares. A ultrassonografia abdominal identificou múltiplos cálculos móveis na vesícula biliar, medindo até 1,0 cm, e uma imagem arredondada ecogênica fixa de 2,0 cm no infundíbulo/ducto cístico, sugerindo cálculo impactado. A ressonância magnética com colangiorressonância confirmou esses achados. O paciente foi submetido a colecistectomia subtotal e evoluiu bem no pós-operatório. Discussão A Síndrome de Mirizzi classifica-se em tipos I a IV, conforme a presença e extensão da fístula colecistobiliar. O tipo I caracteriza-se por compressão extrínseca do ducto hepático comum por cálculo impactado; os tipos II a IV envolvem fístulas com diferentes graus de destruição da parede do colédoco. A ultrassonografia é o exame inicial, porém apresenta baixa sensibilidade (23-46%) para o diagnóstico. A ressonância magnética com colangiorressonância é mais sensível, permitindo avaliar a extensão da inflamação e diferenciar de outras patologias, como colangiocarcinoma. O diagnóstico pré-operatório da síndrome é desafiador, exigindo alta suspeição clínica e uso combinado dos métodos de imagem para orientar o manejo adequado e evitar complicações cirúrgicas.
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Referências
Jones MW, Ferguson T. Mirizzi Syndrome. [Updated 2023 Apr 24]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2025 Jan-. Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK482491/
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