Comprometimento ureteral e renal por endometriose profunda na adolescência: relato de caso
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238648Palavras-chave:
Endometriose, Ureteral, Hidronefrose, Adolescente , Cirurgia, Ressonância MagnéticaResumo
A endometriose é uma condição ginecológica crônica, dependente de estrogênio, caracterizada pela presença de tecido semelhante ao endométrio fora do útero, especialmente na pelve. Os principais sintomas incluem dor pélvica crônica, dismenorreia, dispareunia e infertilidade, com impacto negativo na saúde física, emocional e social. O diagnóstico baseia-se na avaliação clínica, exames de imagem e confirmação cirúrgica. O tratamento pode ser cirúrgico ou medicamentoso, visando controle dos sintomas e preservação da função dos órgãos acometidos. Relato de Caso Uma adolescente de 17 anos, previamente hígida, procurou atendimento por dor abdominal intensa e sangramento menstrual prolongado. Relatava dismenorréia severa desde a menarca, dor às evacuações e falha ao tratamento hormonal prévio. Os exames revelaram creatinina elevada (2,93 mg/dL) e hidronefrose bilateral. Foi internada, submetida à passagem de cateter duplo J e iniciou terapia com análogo de GnRH. A ressonância magnética evidenciou múltiplos focos infiltrativos de endometriose profunda em regiões retrouterina, retovaginal, ureteres, retossigmoide, miométrio e ovário esquerdo. Após melhora clínica, programou-se abordagem cirúrgica conjunta com Ginecologia, Urologia e Coloproctologia, incluindo exérese de focos profundos, salpingo-ooforectomia direita, shaving retal, ureterólise bilateral e reimplante ureteral direito. No pós-operatório, evoluiu com colite por Clostridium difficile, tratada com metronidazol. No seguimento, apresentou melhora significativa da dor, preservação da função renal, amenorreia medicamentosa e estabilidade clínica, permanecendo em acompanhamento multidisciplinar. Discussão A endometriose pode afetar adolescentes, causando dor pélvica crônica e comprometendo a qualidade de vida. O diagnóstico precoce é fundamental, especialmente em casos graves e atípicos, como obstrução ureteral e disfunção renal. A investigação envolve exames laboratoriais, de imagem e, quando necessário, laparoscopia diagnóstica. Neste caso, a doença avançada exigiu intervenção multidisciplinar e abordagem cirúrgica extensa.
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Referências
Sachedina A, Todd N. Dysmenorrhea, Endometriosis and Chronic Pelvic Pain in Adolescents. J Clin Res Pediatr Endocrinol. 2020 Feb 6;12(Suppl 1):7-17. doi: 10.4274/jcrpe.galenos.2019.2019.S0217. PMID: 32041388; PMCID: PMC7053437.
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