Fasciíte necrosante escrotal com disseminação retroperitoneal: relato de uma evolução fulminante
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238667Palavras-chave:
Fasciíte Necrosante, Síndrome de Fournier, Emergência Cirúrgica, Desbridamento Extensivo, Choque Séptico, Diagnóstico PrecoceResumo
A fasciíte necrosante perineal, conhecida como Síndrome de Fournier, é uma infecção rapidamente progressiva das partes moles do períneo, associada à alta morbimortalidade. Trata-se de uma emergência cirúrgica que exige desbridamento precoce e agressivo, antibioticoterapia de amplo espectro e suporte para sepse. Abordagem cirúrgica é o pilar do tratamento, podendo demandar múltiplas intervenções e procedimentos complementares conforme a extensão da necrose. Relato de Caso Homem de 40 anos, previamente hígido, procurou o PS com dor e edema inguinoescrotal há cinco dias. Relatou redução manual de hérnia inguinal no dia anterior, seguida de piora progressiva da dor e hiperemia local. Ao exame, apresentava-se em mau estado geral, descorado, desidratado, taquicárdico (150 bpm) e hipotenso (PA 101x67 mmHg). Apresentava edema inguinoescrotal bilateral, hiperemia, crepitação à palpação e abdome distendido e doloroso. A tomografia de abdome total revelou gás e líquido na região inguinoescrotal bilateral, com disseminação pré e retroperitoneal e ao longo da parede abdominal anterior, além de envolvimento das goteiras parietocólicas. O paciente foi internado para tratamento sistêmico e submetido a laparotomia exploradora, que identificou secreção purulenta no espaço de Retzius e bolsa escrotal direita, sem necrose intestinal ou hérnias. Evoluiu com choque séptico refratário, necessitando noradrenalina, vasopressina e adrenalina. Realizou-se o segundo desbridamento cirúrgico, mas o quadro progrediu para falência hemodinâmica, culminando em óbito 51 horas após a admissão. Discussão A fasciíte necrosante é uma infecção bacteriana agressiva que causa necrose dos tecidos fasciais e subcutâneos, com rápida progressão e alta mortalidade. O diagnóstico precoce é desafiador, pois os sinais iniciais podem ser sutis, incluindo dor desproporcional, falha na resposta à antibioticoterapia, rigidez dos tecidos, toxicidade sistêmica, edema, crepitação, lesões bolhosas e necrose cutânea. O tratamento exige desbridamento cirúrgico precoce e completo, antibioticoterapia adequada e suporte clínico. A intervenção cirúrgica precoce é o padrão-ouro para reduzir mortalidade e amputações.
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Referências
Practice Guidelines for the Diagnosis and Management of Skin and Soft Tissue Infections: 2014 Update by the Infectious Diseases Society of America.
Stevens DL, Bisno AL, Chambers HF, et al. Clinical Infectious Diseases: An Official Publication of the Infectious Diseases Society of America. 2014;59(2):147-59. doi:10.1093/cid/ciu296.
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