Fístula perianal complexa: dificuldades no diagnóstico e tratamento relato de caso com correlação radiológico-clínico-cirúrgica
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238671Palavras-chave:
Fístula Perianal Complexa, Incontinência Fecal, Abscesso Supraelevador, Diagnóstico Diferencial, Ressonância Magnética, Tratamento CirúrgicoResumo
A fístula perianal frequentemente se relaciona a abscessos criptoglandulares e pode evoluir para formas complexas, especialmente quando associada a fatores predisponentes como infecção prévia, trauma ou cirurgias repetidas. A cronicidade e as recorrências podem levar a sequelas funcionais importantes, como incontinência fecal, impactando a qualidade de vida. O diagnóstico e tratamento dessas fístulas exigem abordagem multidisciplinar, com avaliação clínica detalhada, métodos de imagem e planejamento cirúrgico individualizado.Relato de Caso Homem de 67 anos, hipertenso, dislipidêmico e coronariopata, procurou atendimento em 2019 com dor anal intensa, febre e secreção purulenta. Tomografia revelou abscesso isquiorretal extenso (80mL). Submeteu-se à drenagem cirúrgica com colocação de drenos Penrose e passagem de sedenhos. Evoluiu com fístula perianal e incontinência fecal completa. Entre 2019 e 2025, apresentou episódios recorrentes de secreção por orifícios fistulosos e incontinência fecal diária. Colonoscopia em 2020 evidenciou diverticulose não complicada e alterações inespecíficas no canal anal. Exames proctológicos repetidos identificaram orifício fistuloso às 8h, secreção amarelada e perda da continuidade da borda anal. Ressonância magnética de pelve indicou trajeto fistuloso às 8h. Em abril de 2025, realizou drenagem endoanal de abscesso supraelevador póstero-lateral esquerdo, com coleta para biópsia e culturas. Durante exame sob narcose, identificou-se orifício fistuloso interno único, esfíncter hipotônico e abscesso extenso (9cm). Realizou-se marsupialização parcial. Culturas bacterianas e investigação para tuberculose foram negativas. A biópsia revelou tecido fibromuscular sem sinais de malignidade ou inflamação.Discussão Este caso ilustra a complexidade do manejo das fístulas perianais crônicas. O abscesso inicial extenso e a fistulotomia com sedenhos contribuíram para trajetos complexos e destruição esfincteriana, resultando em incontinência fecal definitiva. Ausência de trajetos externos visíveis e a localização supraelevadora dificultaram o mapeamento, evidenciando a importância da ressonância magnética. A incontinência fecal associada a fístulas complexas é desafiadora, com múltiplas cirurgias e dano esfinteriano como fatores de risco.
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Referências
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Ratto C, Litta F, Donisi L, et al. Fistula-in-ano: new perspectives in management. Colorectal Dis. 2021;23(5):1183-1194.
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