Fratura instável de coluna cervical com lesão medular traumática em adulto jovem: relato de caso

Autores

  • Lyd Salua Granich Noman Atallah Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil. https://orcid.org/0009-0009-5657-3485
  • Matheus Prates Pereira dos Santos Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.
  • Júlia Leal Bassan Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.
  • Taina Shi Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.
  • Brenda Martines Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.
  • Rodrigo Frati Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238672

Palavras-chave:

Trauma Esportivo, Fratura Cervical, Lesão Medulartetraparesia, Tomografia Computadorizada, Artrodese Cervical

Resumo

As lesões da medula espinhal (LME) associadas ao trauma raquimedular cervical representam cerca de 55% dos casos de LME, acometendo principalmente adultos jovens do sexo masculino, frequentemente em acidentes esportivos ou automobilísticos. Até 10–15% dos casos estão associados a fraturas em outros segmentos da coluna, exigindo avaliação completa do eixo espinhal. A tomografia computadorizada (TC) é o exame inicial de escolha, com sensibilidade superior a 98%, enquanto a ressonância magnética (RM) complementa o diagnóstico em casos de alteração neurológica ou dúvida. Relato de Caso Um homem de 42 anos, previamente saudável, com histórico de uso de cocaína, maconha e tabagismo, sofreu trauma cervical durante a prática de jiu-jitsu. Após uma queda com impacto direto no pescoço, evoluiu imediatamente com tetraplegia e perda de sensibilidade em todos os membros, além de insuficiência respiratória com respiração ruidosa, necessitando intubação orotraqueal pela equipe de cirurgia geral. A tomografia computadorizada cervical evidenciou fratura na vértebra C5, retrolistese de C6 e estenose significativa do canal medular por deslocamento ósseo, indicando instabilidade da coluna cervical e gravidade do trauma. A ressonância magnética confirmou compressão medular significativa em C5-C6, com hipersinal em T2 sugestivo de lesão medular parcial e hematoma local. O paciente foi submetido a artrodese cervical anterior em C5-C6 com discectomia, seguida de fixação posterior de C4 a C7 e laminectomia de C4-C5. Discussão As fraturas cervicais com comprometimento medular são graves e potencialmente fatais, ocorrendo em até 5–10% dos traumas fechados. A identificação precoce da instabilidade e do déficit neurológico é fundamental para definir a conduta. A TC é o exame padrão inicial, com alta sensibilidade, enquanto a RM avalia lesões ligamentares, hematomas e contusões medulares, embora nem sempre altere a conduta. Neste caso, o trauma esportivo e a lesão neurológica grave indicaram descompressão cirúrgica precoce e estabilização em dois tempos. 

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Referências

Joaquim AF, et al. Management of subaxial cervical spine trauma. World Neurosurg. 2019;131:406–412.

Miyanji F, et al. Radiographic assessment of spinal cord injury. J Neurosurg Spine. 2007;6(5):379–387.

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Publicado

2025-07-03

Como Citar

Atallah, L. S. G. N. ., Santos, M. P. P. dos ., Bassan, J. L. ., Shi, T. ., Martines, B. ., & Frati, R. . (2025). Fratura instável de coluna cervical com lesão medular traumática em adulto jovem: relato de caso. Revista De Medicina, 104(4 esp.), e-238672. https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238672