Ingestão de soda cáustica em paciente jovem com histórico de abuso de substâncias: manejo clínico e endoscópico de lesões químicas do trato digestivo superior
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238701Palavras-chave:
Soda Cáustica, Lesão Química, Endoscopia Digestiva, Trato Digestivo Superior, Ulceração, Abuso de SubstânciasResumo
Ingestão de substâncias cáusticas é uma emergência médica que pode causar lesões graves no trato digestivo superior, incluindo queimaduras químicas na orofaringe, esôfago e estômago. Essas lesões variam desde inflamação leve até perfuração e necrose, exigindo avaliação cuidadosa e manejo multidisciplinar. Relato de Caso: Homem de 25 anos, com histórico de uso crônico de cocaína desde os 14 anos e abuso de álcool, foi admitido no serviço de emergência após tentativa de suicídio por ingestão de soda cáustica. Apresentava dor abdominal intensa e sialorréia. No exame físico inicial, evidenciou mucosas secas e hipocoradas, sinais de desidratação, abdome plano e indolor, fala lentificada, sem outros achados relevantes. Realizou-se passagem de sonda nasogástrica para lavagem gástrica, seguida de episódio de hematêmese. Manteve-se em jejum, com hidratação e analgesia adequadas, sem sinais de peritonite. Durante a internação, evoluiu com hematêmese maciça e risco de instabilidade hemodinâmica, sendo realizada endoscopia digestiva alta (EDA). O exame revelou enantema e úlceras na parede posterior da faringe e esôfago cervical, extensas queimaduras químicas no andar supraglótico, além de enantema intenso e úlceras com tecido fibro-necrótico na mucosa gástrica. Não foram observadas lesões no esôfago médio e distal. O paciente foi internado na UTI, com sonda nasoenteral posicionada na segunda porção do duodeno para suporte nutricional, e encaminhado para acompanhamento psiquiátrico. Discussão: A ingestão de agentes cáusticos representa um desafio clínico. O manejo inicial inclui estabilização hemodinâmica, avaliação precoce da extensão das lesões por endoscopia e suporte nutricional adequado, evitando a passagem de sonda nasogástrica quando possível para reduzir o risco de perfuração. A hematêmese maciça indica comprometimento vascular e risco de instabilidade, justificando o monitoramento intensivo e suporte na UTI. A colocação da sonda nasoenteral distal ao estômago permite manutenção da nutrição sem agravar as lesões. Além do tratamento clínico, o acompanhamento psiquiátrico é fundamental.
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Referências
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