Metástases hepáticas como apresentação inicial de neoplasia oculta
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238739Palavras-chave:
Metástase, Fígado, Câncer, Tomografia Computadorizada, Neoplasia Oculta, Investigação OncológicaResumo
A dor abdominal em idosos, especialmente quando inespecífica e sem sinais de alarme, pode ocultar diagnósticos graves. Metástases hepáticas frequentemente são a apresentação inicial de tumores sólidos, mas podem passar despercebidas em quadros clínicos atípicos. Este relato ressalta a importância de uma abordagem sistemática da dor abdominal em pacientes com fatores de risco oncológicos e destaca o papel da tomografia computadorizada na elucidação diagnóstica precoce. Relato de Caso: Um homem de 75 anos, tabagista, procurou atendimento por dor abdominal há 15 dias. Inicialmente, a dor localizava-se no ombro direito, evoluindo para o hipocôndrio direito com irradiação para o andar superior do abdome, associada a náuseas e anorexia. Ao exame físico, apresentava massa palpável endurecida no flanco direito, de cerca de 8 cm, dolorosa à palpação. Não havia febre, perda de peso ou alterações digestivas e urinárias relevantes. Os exames laboratoriais mostraram elevação de marcadores inflamatórios e enzimas hepáticas. A tomografia computadorizada de abdome e pelve com contraste revelou múltiplas lesões hepáticas nodulares, heterogêneas, com realce periférico, sugestivas de metástases hepáticas. O paciente foi encaminhado para investigação complementar com biópsia hepática. Discussão: As metástases hepáticas são a forma mais comum de tumor maligno do fígado, geralmente secundárias a neoplasias gastrointestinais, como o câncer colorretal. O fígado é altamente suscetível à disseminação hematogênica de células tumorais devido à sua vascularização pelo sistema porta. Em alguns casos, o sítio primário do tumor permanece desconhecido, caracterizando o câncer de sítio primário desconhecido (CSPD), cujo prognóstico é reservado, com sobrevida mediana inferior a um ano. O exame físico detalhado, aliado a exames de imagem como tomografia computadorizada e ressonância magnética, é essencial para caracterizar as lesões hepáticas e buscar o tumor primário. Quando esses métodos são inconclusivos, a biópsia hepática pode sugerir a origem do tumor.
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Referências
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