Necrose intestinal em paciente com diabetes avançado e complicações vasculares graves: relato de caso e abordagem multidisciplinar
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238742Palavras-chave:
Necrose Intestinal, Diabetes, Doença Vascular, Abdome Agudo, Aterosclerose, SepseResumo
Isquemia mesentérica aguda apresenta alta mortalidade, principalmente em pacientes com doenças vasculares, diabetes descompensada e múltiplas comorbidades. Indivíduos com histórico de vasculite, amputações por complicações microvasculares e eventos cardiovasculares prévios representam um desafio terapêutico, especialmente diante de necrose intestinal. Este relato descreve um caso complexo de abdome agudo vascular em paciente com diabetes insulino dependente grave. Relato de Caso: Uma mulher de 47 anos, com diabetes mellitus insulinodependente, vasculite leucocitoclástica, amputações de membros inferiores por complicações vasculares, IAM, AVC e cirurgia abdominal prévia por isquemia intestinal, apresentou dor abdominal difusa há sete dias, acompanhada de diarreia, náuseas e vômitos biliosos. Após piora da dor e descompensação sistêmica, buscou atendimento no PS. O exame físico revelou paciente descorada, sonolenta e com abdome tenso, sem sinais de irritação peritoneal. Os exames laboratoriais mostraram hiperglicemia grave (1.094 mg/dL), hiperpotassemia, insuficiência renal aguda e leucocitose. A tomografia computadorizada evidenciou hipovascularização do íleo terminal e ceco, sinais de sofrimento de alça e coleção gasosa na fossa ilíaca direita. Submetida à laparotomia exploradora, identificou-se necrose extensa do íleo terminal, ceco e cólon ascendente proximal. Realizou-se ileocolectomia direita com dupla ostomia. No pós-operatório, a paciente foi encaminhada à UTI, mas evoluiu com piora da função renal, acidose metabólica e choque séptico refratário, vindo a óbito no quinto dia pós-operatório. Discussão:Este caso evidencia a sinergia negativa entre doença vascular crônica e descontrole metabólico em pacientes diabéticos. A aterosclerose acelerada e a vasculopatia diabética favoreceram trombose intestinal, agravada pela hiperglicemia extrema, que comprometeu a resposta imunológica e a perfusão tecidual. A presença de coleção gasosa sugere infecção por bactérias formadoras de gás. Apesar da intervenção cirúrgica, a extensão da necrose limitaram o sucesso terapêutico. A evolução para sepse e falência multiorgânica reflete a gravidade do quadro.
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