Obstrução intestinal por hérnia inguinal encarcerada em idoso
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238827Palavras-chave:
Hérnia, Inguinal, Abdome, Agudo, Obstrutivo, IdosoResumo
A obstrução intestinal é uma emergência cirúrgica comum em idosos, frequentemente associada a hérnias abdominais. Pacientes acima de 80 anos apresentam maior risco de complicações devido à fragilidade anatômica, comorbidades e diagnóstico tardio. Hérnias inguinais encarceradas tornam-se irredutíveis e podem evoluir para estrangulamento, necrose tecidual e sepse, exigindo intervenção imediata.Relato de Caso: Um homem de 80 anos procurou o serviço de urgência com dor abdominal difusa e parada de eliminação de fezes e flatos há quatro dias. Referia abaulamento inguinal direito redutível que se tornou irredutível concomitantemente ao início dos sintomas. Negava febre, vômitos ou alterações urinárias. No exame físico, apresentava abdome distendido, timpânico à percussão e ruídos hidroaéreos hipoativos. Identificou-se abaulamento inguinal direito irredutível, sem hiperemia ou sinais de peritonite. A tomografia abdominal evidenciou distensão de alças intestinais com múltiplos níveis hidroaéreos, associada a hérnia inguinal esquerda com insinuação de segmento do cólon sigmoide, causando distensão dos segmentos cólicos a montante. Foi submetido à inguinotomia exploratória, que revelou hérnia inguinal indireta encarcerada com alça do cólon em bom estado, sem necrose. Realizou-se liberação da alça e herniorrafia com tela. No pós-operatório, evoluiu com recuperação progressiva, retorno do trânsito intestinal e alta hospitalar. Discussão:A apresentação clínica da obstrução intestinal em idosos pode ser atípica, com dor menos localizada e sinais peritoneais sutis. A ausência de hiperemia ou peritonismo não exclui urgência cirúrgica, pois o encarceramento inicial pode não cursar com inflamação evidente. A intervenção cirúrgica imediata é fundamental para evitar necrose intestinal e sepse. A inguinotomia permite avaliação direta da viabilidade tecidual e correção definitiva, sendo preferencial em idosos pela menor taxa de recidiva com uso de tela. A evolução favorável reforça a importância do diagnóstico precoce e manejo ágil, mesmo em pacientes com comorbidades estabilizadas.
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