Obstrução intestinal por hérnia interna em paciente pós-gastrectomia: abordagem cirúrgica e desfecho
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238828Palavras-chave:
Abdome Agudo Obstrutivo, Hérnia Interna, Gastrectomia, Complicações Pós-operatórias, Reabordagem Cirúrgica, Desfecho ClínicoResumo
Hérnias internas ocorrem quando alças intestinais se insinuam por defeitos mesentéricos, podendo causar obstrução intestinal. Representam até 5% das causas de obstrução e são mais comuns após cirurgias abdominais, especialmente gastrectomias com reconstrução em Y de Roux. O diagnóstico precoce é fundamental devido ao risco de isquemia e necrose intestinal. Relato de Caso: Homem de 44 anos, etilista crônico, tabagista e usuário de cocaína, com histórico de gastrectomia subtotal em Y de Roux realizada em 2022 por estenose pilórica obstrutiva, procurou o PS com dor abdominal em faixa no epigástrio irradiada para o dorso e vômitos alimentares há dois dias. Referia febre não aferida e negava diarreia. No exame físico, apresentava abdome plano, flácido e doloroso à palpação difusa, sem sinais de irritação peritoneal. Os exames laboratoriais revelaram elevação significativa de amilase (391U/L) e lipase (775U/L), com enzimas hepáticas e bilirrubinas normais. A TC evidenciou rotação de vasos mesentéricos e dilatação de alças jejunais em configuração de alça fechada, sugerindo obstrução por hérnia interna ou bridas. Foi submetido a laparotomia exploradora, que revelou múltiplas aderências entre cólon transverso, fígado, alças intestinais e parede abdominal. A alça biliopancreática, localizada 10 cm após o ligamento de Treitz, estava herniada sob o mesentério da alça alimentar, causando dilatação proximal. Não houve sinais de isquemia. O pós-operatório transcorreu sem intercorrências graves. Discussão: A hérnia interna é uma complicação conhecida após gastrectomias com reconstrução em Y de Roux, especialmente quando há falha no fechamento de defeitos mesentéricos. A apresentação clínica pode simular pancreatite ou obstrução funcional, tornando a TC abdominal essencial para o diagnóstico. Neste caso, a rotação mesentérica e a distensão de alças sugeriram a hérnia interna. A intervenção cirúrgica imediata permitiu a redução da alça herniada e preveniu isquemia intestinal. O fechamento dos espaços mesentéricos é crucial para evitar recorrência.
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Referências
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ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6022:2018 – Artigo em publicação periódica científica impressa. Rio de Janeiro, 2018.
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