Pancreatite aguda biliar necrosante: relato de caso em paciente jovem e etilista crônico
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238834Palavras-chave:
Pancreatite, Aguda, Biliar, Necrosante, Etilista, JovemResumo
A pancreatite aguda necrosante representa uma forma grave da doença, frequentemente associada a complicações locais e sistêmicas. Este relato descreve um caso de pancreatite alcoólica complicada por necrose pancreática e trombose venosa esplênica, evidenciando os desafios do manejo conservador e a importância do seguimento multidisciplinar. Relato de Caso: Um homem negro de 41 anos, etilista, com antecedente de pancreatite aguda há sete dias, foi internado com dor abdominal difusa irradiada para o dorso, náuseas e inapetência. Negava febre, vômitos ou alterações intestinais. No exame físico, apresentava dor abdominal difusa à palpação e sinais de irritação peritoneal. A tomografia de abdome revelou aumento difuso do pâncreas, densificação dos tecidos peripancreáticos, coleção peripancreática e necrose em cerca de um terço do corpo e cauda, além de trombose da veia esplênica, sem sinais de infecção. Os exames laboratoriais mostraram anemia (Hb 10,6 g/dL), leucocitose (14.490/μL), PCR elevado (148 mg/L), hipoxemia (SatO2 83%) e lactato aumentado (8,4 mmol/L), com amilase e lipase normais. Iniciou jejum, hidratação vigorosa e analgesia endovenosa. Optou-se pelo manejo conservador devido à ausência de indicação para drenagem ou cirurgia. O paciente evoluiu com redução progressiva da dor, normalização dos marcadores inflamatórios e tolerância à dieta oral, recebendo alta após 15 dias, assintomático, com seguimento ambulatorial para monitoramento da trombose e necrose.Discussão:Este caso exemplifica pancreatite necrosante não infectada em paciente etilista, cuja resolução clínica ocorreu com manejo conservador. A normalização precoce das enzimas pancreáticas indica fase tardia da doença, enquanto a hipoxemia sugere disfunção pulmonar associada à resposta inflamatória sistêmica. A coleção peripancreática pequena e não infectada justificou a conduta conservadora, alinhada ao "step-up approach" para drenagem tardia. O seguimento visa rastrear pseudocistos e infecção secundária. O relato reforça a eficácia do manejo conservador em pancreatite necrosante.
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Referências
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