Pancreatite aguda litiásica e colangite grave: desafios no manejo e tempo cirúrgico
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238835Palavras-chave:
Pancreatite Aguda Litiásica, Colangite Grave, Coledocolitíase, Cpre, Drenagem Biliar, Abordagem EscalonadaResumo
A litíase biliar é a principal causa de pancreatite aguda biliar e colangite, duas complicações graves que exigem intervenções emergenciais. A pancreatite resulta da obstrução transitória do ducto pancreático, enquanto a colangite decorre da translocação bacteriana secundária à estase biliar. A presença simultânea dessas condições demanda tratamento precoce, incluindo estabilização clínica, drenagem biliar e antibioticoterapia adequada. Relato de Caso: Um homem de 65 anos, com colelitíase não operada, procurou o pronto-socorro com dor epigástrica intensa há um dia, associada a náuseas e vômitos. Referia crises dolorosas intermitentes, sem investigação prévia. No exame físico, encontrava-se em estado geral regular, hemodinamicamente estável, com abdome plano, flácido, dor epigástrica intensa e icterícia leve. Os exames laboratoriais mostraram lipase de 3092 U/L, amilase de 1262 U/L, bilirrubina total de 6,94 mg/dL e leucocitose. O paciente evoluiu com piora clínica, hipotensão, plaquetopenia e aumento das bilirrubinas e marcadores inflamatórios. A tomografia evidenciou pancreatite aguda intersticial edematosa, colelitíase e coledocolitíase. Diante da suspeita de colangite aguda, realizou-se coleta de hemocultura, iniciou-se antibioticoterapia e drenagem biliar por CPRE. A colangiografia confirmou coledocolitíase, tratada com papilotomia ampla e extração dos cálculos. Após 72 horas de manejo intensivo e estabilização, o paciente foi transferido para enfermaria e submetido à colecistectomia eletiva, realizada sem intercorrências. Evoluiu favoravelmente e recebeu alta no segundo dia pós-operatório. Discussão:A coledocolitíase é a principal causa de pancreatite aguda biliar e colangite, que podem evoluir para disfunção orgânica, especialmente em idosos. A persistência da disfunção caracteriza quadros graves, exigindo drenagem biliar urgente, mesmo na presença de pancreatite. A CPRE é o método preferencial para obstruções baixas, com a colecistectomia indicada após estabilização para prevenir recidivas. A abordagem escalonada, priorizando o controle da sepse e a resolução definitiva da doença biliar, é essencial para o sucesso terapêutico e melhora do prognóstico.
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Referências
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