Pancreatite aguda litiásica e colangite grave: desafios no manejo e tempo cirúrgico

Autores

  • Thatiane Lima Barreto Rolleri Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil. https://orcid.org/0009-0009-5657-3485 (não autenticado)
  • Brenda Martines Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.
  • Rodrigo Frati Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.
  • Thales Baptista Gut Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.
  • Carolina Naomi Torigoe Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.
  • Igor José Nogueira Gualberto
  • Henrique Cannever Velho Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238835

Palavras-chave:

Pancreatite Aguda Litiásica, Colangite Grave, Coledocolitíase, Cpre, Drenagem Biliar, Abordagem Escalonada

Resumo

A litíase biliar é a principal causa de pancreatite aguda biliar e colangite, duas complicações graves que exigem intervenções emergenciais. A pancreatite resulta da obstrução transitória do ducto pancreático, enquanto a colangite decorre da translocação bacteriana secundária à estase biliar. A presença simultânea dessas condições demanda tratamento precoce, incluindo estabilização clínica, drenagem biliar e antibioticoterapia adequada. Relato de Caso: Um homem de 65 anos, com colelitíase não operada, procurou o pronto-socorro com dor epigástrica intensa há um dia, associada a náuseas e vômitos. Referia crises dolorosas intermitentes, sem investigação prévia. No exame físico, encontrava-se em estado geral regular, hemodinamicamente estável, com abdome plano, flácido, dor epigástrica intensa e icterícia leve. Os exames laboratoriais mostraram lipase de 3092 U/L, amilase de 1262 U/L, bilirrubina total de 6,94 mg/dL e leucocitose. O paciente evoluiu com piora clínica, hipotensão, plaquetopenia e aumento das bilirrubinas e marcadores inflamatórios. A tomografia evidenciou pancreatite aguda intersticial edematosa, colelitíase e coledocolitíase. Diante da suspeita de colangite aguda, realizou-se coleta de hemocultura, iniciou-se antibioticoterapia e drenagem biliar por CPRE. A colangiografia confirmou coledocolitíase, tratada com papilotomia ampla e extração dos cálculos. Após 72 horas de manejo intensivo e estabilização, o paciente foi transferido para enfermaria e submetido à colecistectomia eletiva, realizada sem intercorrências. Evoluiu favoravelmente e recebeu alta no segundo dia pós-operatório. Discussão:A coledocolitíase é a principal causa de pancreatite aguda biliar e colangite, que podem evoluir para disfunção orgânica, especialmente em idosos. A persistência da disfunção caracteriza quadros graves, exigindo drenagem biliar urgente, mesmo na presença de pancreatite. A CPRE é o método preferencial para obstruções baixas, com a colecistectomia indicada após estabilização para prevenir recidivas. A abordagem escalonada, priorizando o controle da sepse e a resolução definitiva da doença biliar, é essencial para o sucesso terapêutico e melhora do prognóstico.

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Referências

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PANCREATITE AGUDA. Hospital Universitário da Universidade de São Paulo – HU/USP. Dr. Rodrigo Marcus Cunha Frati.

Sabiston, Tratado de Cirurgia, 19a Edição.

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Publicado

2025-07-08

Como Citar

Rolleri, T. L. B. ., Martines, B. ., Frati, R., Gut, T. B. ., Torigoe, C. N. ., Gualberto, I. J. N. ., & Velho, H. C. . (2025). Pancreatite aguda litiásica e colangite grave: desafios no manejo e tempo cirúrgico. Revista De Medicina, 104(4 esp.), e-238835. https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238835