Pielonefrite complicada com abscesso perirrenal: relato de caso de evolução grave com necessidade de nefrectomia
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238844Palavras-chave:
Pielonefrite, Abcesso, Grave, Nefrectomia, Perirrenal, EvoluçãoResumo
A pielonefrite aguda é uma infecção do trato urinário superior que, em sua forma não complicada, responde bem à antibioticoterapia. No entanto, em pacientes com comorbidades como diabetes mellitus, nefropatia estrutural ou infecção por patógenos multirresistentes, pode evoluir para formas complicadas, com risco de abscessos renais, obstrução urinária e choque séptico. Esses casos exigem internação, suporte intensivo e, quando necessário, intervenção cirúrgica.Relato de Caso:Uma mulher de 59 anos, hipertensa e diabética, apresentou dor lombar direita súbita, acompanhada de náuseas, vômitos e febre não aferida. Estava lúcida, hemodinamicamente estável e com dor à palpação no flanco direito, sem sinais de irritação peritoneal. Suspeitou-se de pielonefrite aguda e a paciente foi internada para antibioticoterapia e investigação. Hemoculturas identificaram Escherichia coli produtora de ESBL, sendo iniciado meropenem intravenoso. Apesar do tratamento, manteve febre e a tomografia revelou pielonefrite complicada, com aumento do rim direito, contrastação heterogênea e coleções intrarrenais com extensão para o espaço perirrenal. Evoluiu com instabilidade hemodinâmica e necessidade de drogas vasoativas, sendo admitida na UTI. Diante da ausência de resposta clínica, foi indicada nefrectomia direita. Após a cirurgia, houve regressão da febre, estabilização hemodinâmica e melhora laboratorial. A paciente recebeu alta da UTI para enfermaria e, posteriormente, alta hospitalar com seguimento ambulatorial.Discussão:A pielonefrite aguda complicada representa um quadro mais grave da infecção urinária superior, especialmente em pacientes com fatores de risco como idade avançada, diabetes e infecção por patógenos resistentes. Esses casos podem evoluir para abscessos e sepse, exigindo diagnóstico precoce e conduta agressiva. O tratamento inicial envolve antibióticos de amplo espectro, mas a persistência dos sintomas ou piora clínica indica necessidade de abordagem intervencionista, como drenagem ou nefrectomia. A presença de bactérias multirresistentes torna o manejo mais desafiador, exigindo vigilância microbiológica e individualização da terapia.
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Referências
Bacchetta, M., et al. (2022). Acute complicated pyelonephritis: Diagnostic imaging and treatment strategies. The Lancet Infectious Diseases, 22(9), e278–e289. DOI: 10.1016/S1473-3099(22)00032-0
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