Pneumoperitônio por úlcera gástrica perfurada em paciente com tuberculose
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238851Palavras-chave:
Úlcera Gástrica, Abdome Agudo Perfurativo, Pneumoperitônio, Ulcerorrafia, Videolaparoscopia, Fístula GástricaResumo
Perfurações gastrointestinais são emergências abdominais graves, com alta morbimortalidade, exigindo diagnóstico e intervenção rápidos. A úlcera gástrica perfurada é uma causa frequente, especialmente desafiadora em pacientes vulneráveis com múltiplas comorbidades. Este relato apresenta um caso complexo de úlcera gástrica perfurada em paciente em situação de rua, usuário de drogas e com tuberculose pulmonar ativa, destacando a integração entre achados cirúrgicos e radiológicos no manejo e nas complicações.Relato de Caso:Um homem de 37 anos, recém-egresso do sistema prisional e em situação de rua, foi admitido com dor abdominal súbita e intensa. A tomografia computadorizada abdominal inicial evidenciou pneumoperitônio e líquido livre, compatíveis com perfuração gastrointestinal. Submetido à ulcerorrafia videolaparoscópica, confirmou-se úlcera gástrica perfurada bloqueada na pequena curvatura, com contaminação abdominal. Durante a internação, foi diagnosticada tuberculose pulmonar. Devido à inviabilidade da via gástrica, iniciou-se esquema alternativo para tuberculose. Apesar do tratamento, o paciente manteve baciloscopia positiva e apresentou piora clínica. Nova tomografia abdominal revelou fistulização com extravasamento gástrico e múltiplas coleções intra-abdominais. Evoluiu com instabilidade hemodinâmica e insuficiência respiratória, sendo transferido para a UTI, onde necessitou de ventilação mecânica e suporte com drogas vasoativas.Discussão:Este caso evidencia a complexidade do manejo da úlcera gástrica perfurada em paciente vulnerável, com comorbidades significativas. A tomografia inicial foi fundamental para o diagnóstico, demonstrando pneumoperitônio e líquido livre, achados confirmados no intraoperatório. A presença de tuberculose pulmonar ativa e desnutrição agravou o quadro, dificultando a cicatrização e contribuindo para a fistulização e formação de coleções. O comprometimento da via gástrica exigiu adaptação do tratamento antituberculose. O acompanhamento radiológico permitiu a identificação precoce de complicações, orientando o tratamento. O caso ressalta a importância da abordagem integrada e multidisciplinar no manejo de abdome agudo em pacientes com múltiplas vulnerabilidades e patologias associadas.
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Referências
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