Sarcoma intestinal com suboclusão: relato de caso e discussão
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238860Palavras-chave:
Sarcoma, Intestino Delgado, Tomografia Computadorizada, Cirurgia, Perda Ponderal, Dor Abdominal, SuboclusãoResumo
Os sarcomas intestinais são neoplasias mesenquimais raras, frequentemente associadas a sintomas inespecíficos como dor abdominal, distensão, vômitos e anemia. A apresentação clínica insidiosa dificulta o diagnóstico precoce, tornando necessária a realização de exames de imagem e endoscópicos. O tratamento padrão é a ressecção cirúrgica completa, podendo envolver procedimentos extensos conforme a extensão tumoral. A abordagem multidisciplinar é fundamental para o manejo e seguimento oncológico desses pacientes. Relato de Caso: Um homem de 61 anos, residente em São Paulo, procurou atendimento ambulatorial com dor abdominal intensa, distensão agravada após alimentação, vômitos, febre não aferida, astenia e perda de 12 kg em três meses. Relatou constipação intestinal e múltiplas transfusões sanguíneas devido a anemia sintomática. A hipótese inicial foi de suboclusão intestinal associada à anemia. A tomografia computadorizada contrastada evidenciou lesão expansiva no jejuno. Após dois meses, enteroscopia anterógrada com biópsia confirmou neoplasia mesenquimal maligna. Nova tomografia revelou lesão expansiva de 15 cm no intestino delgado, a 15 cm do ângulo de Treitz, com infiltração circunferencial da parede jejunal, trombose de ramos jejunais da veia mesentérica superior, linfonodomegalias mesentéricas necróticas e lesão hepática compatível com metástase. O paciente foi submetido a enterectomia segmentar jejunal, colectomia segmentar do cólon transverso, duodenojejuno anastomose e colostomia terminal. Evoluiu com intercorrências clínicas no pós-operatório, que foram resolvidas, e permanece em acompanhamento oncológico. Discussão: O caso evidencia a complexidade diagnóstica e terapêutica dos sarcomas intestinais, que frequentemente evoluem com obstrução intestinal e anemia. A tomografia é essencial para avaliar extensão tumoral, trombose vascular e metástases, orientando o planejamento cirúrgico. A ressecção completa com margens livres é o principal tratamento. A presença de metástases hepáticas demanda avaliação multidisciplinar para definir estratégias terapêuticas adicionais. O seguimento rigoroso é imprescindível para monitorar recidivas e complicações, reforçando a importância da investigação detalhada em casos de suboclusão intestinal com sintomas sistêmicos.
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Referências
Leiomyosarcoma of the Small and Large Bowel. Akwari OE, Dozois RR, Weiland LH, Beahrs OH. Cancer. 1978;42(3):1375-84. doi:10.1002/1097-0142(197809)42:3<1375::aid-cncr2820420348>3.0.co;2-4.
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