Tratamento cirúrgico do pneumotórax espontâneo recorrente secundário a enfisema bolhoso: relato de caso
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238894Palavras-chave:
Pneumotórax, Doença Bolhosa, Enfisema, Toracotomia, Pleurodese, BulectomiaResumo
O pneumotórax espontâneo ocorre sem causa aparente e tem incidência estimada em cerca de 8 casos por 100.000 habitantes por ano. O pneumotórax espontâneo secundário está associado a doenças pulmonares subjacentes, como enfisema bolhoso, e apresenta maior morbidade e mortalidade. Fatores de risco para recorrência incluem idade avançada, fibrose pulmonar e doença pulmonar enfisematosa. Este relato descreve um caso de pneumotórax recorrente secundário a enfisema bolhoso, ressaltando a importância do tratamento cirúrgico na prevenção de novos episódios. Relato de Caso: Homem de 52 anos, tabagista com carga tabágica de 45 maços-ano, apresentava histórico de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) do tipo bolhoso há quatro anos e pneumotórax espontâneo direito há dois anos. Relatou dor torácica ventilatório-dependente no hemitórax esquerdo há uma semana, com piora da dor e dispneia nas últimas 24 horas. No exame físico, encontrava-se em bom estado geral e eupneico. A tomografia computadorizada evidenciou pneumotórax moderado à esquerda, atelectasias compressivas e enfisema parasseptal com bolhas subpleurais, sendo a maior de 14cm no lobo inferior direito. Realizou drenagem torácica à esquerda, com melhora clínica e resolução do pneumotórax. Em seguida, foi submetido a toracotomia direita com bulectomia e pleurodese por abrasão. O pós-operatório transcorreu sem intercorrências, sem novos episódios de pneumotórax, e recebeu alta no 11º dia. Discussão: O pneumotórax espontâneo secundário é potencialmente fatal e apresenta altas taxas de recorrência (40-50%). O tratamento cirúrgico é indicado após o segundo episódio, visando ressecar bolhas e obliterar o espaço pleural por pleurodese, sendo a abrasão pleural a técnica padrão. Bolhas grandes, ocupando mais de um terço do hemitórax, requerem intervenção cirúrgica para melhorar a função respiratória. A cirurgia pode ser realizada por toracotomia ou vídeo-toracoscopia (VATS); esta última oferece menor dor e tempo de internação, mas a toracotomia pode reduzir a taxa de recorrência.
Downloads
Referências
HENRY, M.; ARNOLD, T.; HARVEY, J.; PLEURAL DISEASES GROUP; STANDARDS OF CARE COMMITTEE; BRITISH THORACIC SOCIETY. [Diretrizes da BTS para o manejo do pneumotórax espontâneo]. Thorax, v. 58, supl.
, p. ii39-ii52, 2003. DOI: 10.1136/thorax.58.suppl_2.ii39. 2. BAUMANN, M. H. et al. [Manejo do pneumotórax espontâneo]. Chest, v. 119, n. 2, p. 590-602, 2001.
JOSHI, V.; KIRMANI, B.; ZACHARIAS, J. [Toracotomia versus VATS: existe uma abordagem ideal para o tratamento do pneumotórax?]. Annals of the Royal College of Surgeons of England, v. 95, n. 1, p. 61-64, 2013. DOI: 10.1308/003588413X13511609956138.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Direitos autorais (c) 2025 Sofia Carolina Cantuario de Oliveira, Matheus Augusto Indalecio, Maély de Oliveira Ignácio, Mariana Ingrid Silva Silveira, Brenda Martines, Rodrigo Frati

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-ShareAlike 4.0 International License.