Tratamento cirúrgico do pneumotórax espontâneo recorrente secundário a enfisema bolhoso: relato de caso

Autores

  • Sofia Carolina Cantuario de Oliveira Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil. https://orcid.org/0009-0009-5657-3485 (não autenticado)
  • Matheus Augusto Indalecio Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.
  • Maély de Oliveira Ignácio Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.
  • Mariana Ingrid Silva Silveira Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.
  • Brenda Martines Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.
  • Rodrigo Frati Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238894

Palavras-chave:

Pneumotórax, Doença Bolhosa, Enfisema, Toracotomia, Pleurodese, Bulectomia

Resumo

O pneumotórax espontâneo ocorre sem causa aparente e tem incidência estimada em cerca de 8 casos por 100.000 habitantes por ano. O pneumotórax espontâneo secundário está associado a doenças pulmonares subjacentes, como enfisema bolhoso, e apresenta maior morbidade e mortalidade. Fatores de risco para recorrência incluem idade avançada, fibrose pulmonar e doença pulmonar enfisematosa. Este relato descreve um caso de pneumotórax recorrente secundário a enfisema bolhoso, ressaltando a importância do tratamento cirúrgico na prevenção de novos episódios. Relato de Caso: Homem de 52 anos, tabagista com carga tabágica de 45 maços-ano, apresentava histórico de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) do tipo bolhoso há quatro anos e pneumotórax espontâneo direito há dois anos. Relatou dor torácica ventilatório-dependente no hemitórax esquerdo há uma semana, com piora da dor e dispneia nas últimas 24 horas. No exame físico, encontrava-se em bom estado geral e eupneico. A tomografia computadorizada evidenciou pneumotórax moderado à esquerda, atelectasias compressivas e enfisema parasseptal com bolhas subpleurais, sendo a maior de 14cm no lobo inferior direito. Realizou drenagem torácica à esquerda, com melhora clínica e resolução do pneumotórax. Em seguida, foi submetido a toracotomia direita com bulectomia e pleurodese por abrasão. O pós-operatório transcorreu sem intercorrências, sem novos episódios de pneumotórax, e recebeu alta no 11º dia. Discussão: O pneumotórax espontâneo secundário é potencialmente fatal e apresenta altas taxas de recorrência (40-50%). O tratamento cirúrgico é indicado após o segundo episódio, visando ressecar bolhas e obliterar o espaço pleural por pleurodese, sendo a abrasão pleural a técnica padrão. Bolhas grandes, ocupando mais de um terço do hemitórax, requerem intervenção cirúrgica para melhorar a função respiratória. A cirurgia pode ser realizada por toracotomia ou vídeo-toracoscopia (VATS); esta última oferece menor dor e tempo de internação, mas a toracotomia pode reduzir a taxa de recorrência. 

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Referências

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Publicado

2025-07-07

Como Citar

Oliveira, S. C. C. de ., Indalecio, M. A. ., Ignácio, M. de O. ., Silveira, M. I. S. ., Martines, B., & Frati, R. (2025). Tratamento cirúrgico do pneumotórax espontâneo recorrente secundário a enfisema bolhoso: relato de caso. Revista De Medicina, 104(4 esp.), e-238894. https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238894