Trauma esplênico com abordagem não operatória: relato de caso
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238902Palavras-chave:
Trauma Esplênico, Tratamento Não Operatório, Laceração Esplênica, Tomografia Computadorizada, Estabilidade Hemodinâmica, Manejo ConservadorResumo
As lesões esplênicas traumáticas ocorrem frequentemente em traumas contusos, como acidentes automobilísticos, quedas e agressões. A apresentação clínica pode ser variável ou até ausente, tornando a tomografia computadorizada (TC) essencial para avaliação e manejo adequados. Este relato descreve um caso de laceração esplênica tratada de forma não operatória, ressaltando a importância da correlação clínico-radiológica na decisão terapêutica.Relato de Caso:Um homem de 28 anos foi atendido no pronto-socorro após agressão física, apresentando sinais de trauma craniano e torácico. No exame físico inicial, encontrava-se hemodinamicamente estável, consciente, orientado e com dor à palpação no hemitórax esquerdo. A TC de tórax revelou fratura de arcos costais, contusão pulmonar, derrame pleural e pneumotórax de pequeno volume à esquerda, tratados de forma conservadora. A TC abdominal evidenciou laceração esplênica com hematoma subcapsular de 13 x 5 x 11 cm (volume 372 cm³), sem extravasamento de contraste (“blush”). O paciente recebeu analgesia e monitoramento rigoroso, mantendo estabilidade clínica e hemodinâmica, com discreta queda da hemoglobina (de 11,5 para 10,0 g/dL). Radiografias subsequentes mostraram resolução do pneumotórax. Optou-se pelo tratamento não operatório (TNO), e o paciente recebeu alta após quatro dias sem complicações. Discussão: O manejo das lesões esplênicas traumáticas depende do estado hemodinâmico, grau da lesão e evolução clínica. Antes da adoção do tratamento não operatório (TNO), a maioria dos casos era submetida à cirurgia. Atualmente, o TNO é considerado seguro para pacientes estáveis, sem sinais de peritonite ou outras lesões intra-abdominais que exijam exploração, preservando a função esplênica e reduzindo morbidade. A ausência de extravasamento de contraste (“blush”) na TC indica ausência de sangramento ativo, permitindo o TNO com monitoramento rigoroso. O caso reforça a importância da avaliação integrada clínico-radiológica para seleção adequada dos pacientes e acompanhamento cuidadoso, garantindo bons desfechos e evitando intervenções invasivas desnecessárias.
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Referências
American College of Surgeons, Committee on Trauma. Advanced Trauma Life Support (ATLS): Student Course Manual. 10th ed. Chicago, IL: American College of Surgeons; 2018.
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