Trauma pélvico e vertebral em acidente moto-auto: relato de caso de ruptura vesical e fraturas múltiplas
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238905Palavras-chave:
Trauma, Ruptura Vesical, Lesão Extraperitoneal de Bexiga, Fratura Pélvica, Cistografia, Tomografia ComputadorizadaResumo
As lesões traumáticas da bexiga são relativamente incomuns, ocorrendo em cerca de 1,6% dos traumas contusos, e ainda mais raras nos traumas penetrantes. Classificam-se em extraperitoneais e intraperitoneais, sendo as extraperitoneais mais frequentes, geralmente associadas a fraturas pélvicas e manejadas inicialmente de forma conservadora. A hematúria franca está presente em 90% dos casos, sendo um sinal importante para suspeita diagnóstica. Relato de Caso: Um homem de 40 anos foi levado à Unidade de Pronto Atendimento após acidente moto versus automóvel, com perda de consciência por 20 minutos. Na admissão, apresentava via aérea pérvia, colar cervical, tórax estável, abdome doloroso à palpação lombossacral, pelve estável e Glasgow 15. Durante a avaliação, evoluiu com hipotensão, taquicardia, palidez e retenção urinária. A sondagem vesical revelou hematúria franca. O raio-X evidenciou fratura pélvica com disjunção da sínfise púbica e fratura de L4. A tomografia computadorizada confirmou ruptura extraperitoneal da bexiga, fratura de L4 com recuo do processo posterior e fratura de cóccix. O paciente foi transferido para centro terciário para manejo especializado.Discussão: A ruptura extraperitoneal da bexiga é a forma mais comum de lesão vesical após trauma pélvico, ocorrendo em 80-90% dos casos, geralmente por trauma contuso associado a fraturas pélvicas. O extravasamento de contraste na cistografia por tomografia é tipicamente confinado ao espaço perivesical, podendo, em casos complexos, estender-se para regiões adjacentes. O tratamento pode ser conservador, com drenagem vesical por cateter, em lesões simples, ou cirúrgico em casos complexos que envolvam outras lesões associadas. O diagnóstico precoce e o manejo adequado são fundamentais para evitar complicações como peritonite, sepse e disfunções urinárias. Este caso ressalta a importância da suspeita clínica e do uso adequado de exames de imagem para o diagnóstico e tratamento eficaz das lesões traumáticas de bexiga.
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Referências
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