Tuberculose anal como diagnóstico diferencial em fístula complexa com incontinência fecal: relato de caso com correlação radiológico-clínico-cirúrgica
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238912Palavras-chave:
Tuberculose Anal, Fístula Anal Complexa, Incontinência Fecal, Abcesso Perianal, Cirurgia Colorretal, Ressonância MagnéticaResumo
A fístula perianal é uma condição que frequentemente surge após abscessos criptoglandulares, podendo evoluir para formas complexas, principalmente em pacientes com infecções prévias, traumas ou múltiplas cirurgias. A persistência e recorrência dessas fístulas aumentam o risco de sequelas funcionais, como a incontinência fecal, impactando negativamente a qualidade de vida. O diagnóstico e o tratamento exigem avaliação clínica detalhada, métodos de imagem e planejamento cirúrgico individualizado.Relato de Caso:Um homem de 67 anos, portador de hipertensão, dislipidemia e doença coronariana, procurou atendimento em 2019 com dor anal intensa, febre e secreção purulenta. A tomografia identificou abscesso isquiorretal extenso, sendo realizada drenagem cirúrgica com drenos Penrose e sedenhos. Evoluiu com fístula perianal e incontinência fecal completa. Nos anos seguintes, apresentou episódios recorrentes de secreção por orifícios fistulosos e incontinência fecal diária. Colonoscopia revelou diverticulose não complicada e alterações inespecíficas no canal anal. Exames proctológicos mostraram orifício fistuloso às 8h, secreção amarelada e perda de continuidade da borda anal. Ressonância magnética de pelve demonstrou trajeto fistuloso complexo. Em 2025, foi realizada drenagem endoanal de abscesso supraelevador, com coleta de material para biópsia e culturas, que foram negativas para malignidade e tuberculose. O exame sob anestesia revelou esfíncter hipotônico e loja abscessual extensa, sendo feita marsupialização parcial.Discussão:Este caso evidencia a complexidade do manejo das fístulas perianais crônicas e complexas. O abscesso inicial extenso e a fistulotomia com sedenhos favoreceram trajetos complexos e destruição do esfíncter, resultando em incontinência fecal. A ausência de trajetos externos visíveis e a localização supraelevadora dificultaram o mapeamento, ressaltando a importância da ressonância magnética para avaliação precisa. O tratamento cirúrgico deve equilibrar a erradicação da fístula e a preservação do esfíncter, frequentemente exigindo múltiplas intervenções e acompanhamento multidisciplinar contínuo para otimizar resultados e minimizar complicações funcionais.
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Referências
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Ratto C, Litta F, Donisi L, et al. Fistula-in-ano: new perspectives in management. Colorectal Dis. 2021;23(5):1183-1194.
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