Registro do perfil clínico epidemiológico e funcional de pacientes pós trauma crânio encefálico de um hospital de alta complexidade do interior do estado de São Paulo

Autores

  • Leonardo Ribela de Alvarenga Universidade de Franca- Unifran, Franca, SP. Brasil
  • Mariana de Oliveira Lima Universidade de Franca- Unifran, Franca, SP. Brasil.
  • Giovanna Dorneles e Silva Universidade de Franca- Unifran, Franca, SP. Brasil.
  • Maria Júlia Sindou Siqueira Universidade de Franca- Unifran, Franca, SP. Brasil.

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v105i2e-241802

Palavras-chave:

TCE, NOS-TBI, Escala de Coma de Glasgow, Prognóstico Funcional

Resumo

 

RESUMO: O traumatismo cranioencefálico (TCE) resulta de forças físicas que causam lesões cerebrais e comprometimento funcional. A Escala de Coma de Glasgow (ECG), embora amplamente utilizada, não abrange todos os déficits neurológicos, o que motivou o desenvolvimento da Neurological Outcome Scale for Traumatic Brain Injury (NOS-TBI), baseada na NIHSS e voltada à mensuração das sequelas pós-TCE. Este estudo prospectivo teve como objetivos criar um registro clínico de casos de TCE na FSCMF (Franca/SP), caracterizar o perfil clínico-funcional dos pacientes e analisar fatores preditivos de evolução após seis meses. Foram incluídos adultos com TCE internados entre outubro de 2023 e dezembro de 2024. As avaliações ocorreram na admissão, durante a internação e após seis meses, utilizando ECG, NOS-TBI, TICS-M, Escala de Rankin Modificada e Inventário de Dominância Lateral de Edimburgo. A amostra final foi composta por 40 pacientes, majoritariamente homens (72,5%), com mediana de idade de 51 anos. As principais causas foram acidentes de trânsito (44,7%) e quedas (31,6%). Quanto à gravidade, 70% apresentaram TCE leve, 12,5% moderado e 17,5% grave. A NOS-TBI demonstrou excelente consistência interna (α>0,9) e alta confiabilidade interavaliadores (K>0,8), com concordância perfeita em alguns itens (K=1). Apesar da boa confiabilidade da escala, apenas nove pacientes completaram o seguimento de seis meses, o que limitou a análise dos desfechos funcionais. A maioria apresentou recuperação satisfatória, embora os casos graves, idade avançada e mecanismos de trauma severos tenham se associado a pior prognóstico. O estudo reforça a utilidade da NOS-TBI como ferramenta sensível para identificar precocemente déficits neurológicos e complementar a ECG. As dificuldades no seguimento evidenciam a necessidade de aprimorar estratégias de acompanhamento e integração dos serviços pós-alta no SUS.

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Publicado

2026-02-13

Edição

Seção

Artigos Originais/Originals Articles

Como Citar

Alvarenga, L. R. de, Lima, M. de O., Dorneles e Silva, G., & Siqueira, M. J. S. (2026). Registro do perfil clínico epidemiológico e funcional de pacientes pós trauma crânio encefálico de um hospital de alta complexidade do interior do estado de São Paulo. Revista De Medicina, 105(2), e-241802. https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v105i2e-241802