Determinantes psicossociais e laborais da síndrome de burnout em médicos residentes: uma revisão narrativa
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v105i6e-249295Palavras-chave:
Esgotamento profissional, Internato e Residência, Educação médica, Estresse psicológico, Estresse ocupacionalResumo
A residência médica constitui etapa fundamental da formação especializada, porém representa um ambiente de alto risco para o adoecimento ocupacional. Este estudo analisou os determinantes laborais e psicossociais da síndrome de burnout em médicos residentes, bem como suas bases fisiopatológicas e estratégias de prevenção. Realizou-se uma revisão narrativa da literatura nas bases PubMed, SciELO e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), incluindo estudos publicados entre 2020 e 2025. Os achados indicam que o burnout não se restringe à exaustão emocional, configurando-se como um desgaste biológico associado à exposição prolongada a jornadas superiores a 60 horas semanais, privação crônica de sono e ambientes laborais adversos, fatores que favorecem o isolamento social e a elevada autocobrança. Esse estresse contínuo desregula a resposta neuroendócrina e eleva a carga alostática, resultando em alterações na secreção de cortisol, inflamação sistêmica e comprometimento das funções do córtex pré-frontal. Observam-se, ainda, despersonalização, aumento de erros médicos, maior risco cardiovascular e abandono da profissão. Os resultados indicam que o burnout na residência médica decorre de fatores estruturais do modelo de formação, e não de falhas individuais de resiliência. Conclui-se que estratégias institucionais, como monitoramento contínuo da saúde dos residentes, implementação de programas formais de mentoria e adequação das escalas de descanso, são necessárias para reduzir o adoecimento e promover uma formação médica mais segura e sustentável.
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